
A Braskem pediu recuperação extrajudicial à Justiça de São Paulo nesta segunda-feira (24) diante de uma dívida estimada em R$ 54 bilhões. A medida dará à petroquímica 90 dias de proteção contra determinadas cobranças enquanto a empresa negocia com os credores um plano definitivo de reestruturação financeira.
O pedido chegou à Justiça durante a madrugada, segundo o colunista Lauro Jardim, de O Globo. Entre os principais credores estão investidores que detêm títulos de dívida da companhia, além de Banco do Brasil, BNDES, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander.
A recuperação extrajudicial permite que uma empresa negocie diretamente com grupos específicos de credores as condições para reorganizar suas obrigações. A Braskem pode submeter o acordo à homologação da Justiça, embora conduza as tratativas fora de um processo tradicional de recuperação judicial.
A companhia tenta reorganizar um endividamento superior a US$ 10 bilhões. Em junho, a petroquímica obteve uma proteção judicial de 60 dias que suspendeu medidas de execução e bloqueio relacionadas a parte das dívidas financeiras, mas esse prazo terminava nesta segunda-feira.

Rebaixamento de crédito e reestruturação internacional
A Fitch Ratings rebaixou em agosto a classificação de crédito da Braskem para “RD”, categoria que indica inadimplência restrita. A agência tomou a decisão depois que a companhia deixou de pagar juros dentro do período de carência para preservar liquidez durante as negociações.
Antes do novo pedido, a Braskem e seus credores discutiam a extensão dos prazos de pagamento, a capitalização de valores e o uso de ativos como garantias. As conversas envolvem principalmente bancos e investidores que possuem títulos emitidos pela petroquímica.
A crise financeira coincide com mudanças na estrutura societária e na administração da empresa. Em junho, a Braskem anunciou a entrada da gestora IG4 na gestão e uma participação mais ativa da Petrobras nas decisões relacionadas à companhia.
As dificuldades também alcançaram a Braskem Idesa, joint venture mantida no México com o Grupo Idesa. A empresa pediu recuperação judicial nos Estados Unidos pelo Chapter 11 em agosto, com a meta de reduzir seu endividamento de aproximadamente US$ 2,5 bilhões para US$ 1,6 bilhão.