Com Brasil incluído, Trump suspende agendamento de entrevistas para vistos de imigrantes

Donald Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Molly Riley/Casa Branca

O governo de Donald Trump suspendeu temporariamente o agendamento de entrevistas para vistos de imigrantes em embaixadas e consulados dos Estados Unidos em todo o mundo, inclusive no Brasil. A medida atinge estrangeiros que buscam residência permanente no país e não alcança vistos de não imigrantes, como os destinados a turismo. Não foi divulgado um prazo para a retomada dos agendamentos. Com informações do g1, que obteve confirmação do Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Segundo o órgão, a interrupção permitirá a realização de um treinamento global de funcionários consulares. O governo afirma que pretende padronizar a análise de candidatos e aprimorar a identificação de pessoas que possam, segundo os critérios da administração Trump, tornar-se dependentes de benefícios públicos depois de imigrar para os Estados Unidos.

A medida também afeta processos que já estavam em andamento. Candidatos que tinham entrevistas marcadas começaram a receber mensagens informando que os compromissos seriam remarcados. As novas datas deverão ser comunicadas posteriormente. O Departamento de Estado não esclareceu quanto tempo o treinamento levará nem quantos solicitantes serão afetados.

A paralisação não se aplica aos vistos temporários. Quem pretende viajar aos Estados Unidos a turismo, por exemplo, continua sujeito ao procedimento regular da categoria correspondente. Essa distinção já havia sido relevante em janeiro, quando o governo Trump suspendeu o processamento de vistos de imigração para cidadãos do Brasil e de outros 74 países. Na ocasião, turistas, estudantes e viajantes a negócios não estavam incluídos no bloqueio.

A nova suspensão ocorre poucos dias depois de a Justiça estadunidense derrubar justamente aquela política direcionada aos 75 países. A juíza federal Jeannette Vargas concluiu na sexta-feira (21) que o secretário de Estado, Marco Rubio, havia excedido sua autoridade ao interromper de maneira geral a emissão de vistos de imigrantes com base na nacionalidade dos solicitantes. Brasil, Colômbia e dezenas de países da África, Ásia, Oriente Médio e Caribe estavam na lista.

As duas medidas, porém, não são juridicamente idênticas. A política derrubada pela Justiça impedia o processamento de vistos para cidadãos de países específicos sob o argumento de risco de dependência de benefícios públicos. A decisão anunciada agora suspende temporariamente agendamentos em escala global e é apresentada pelo governo como uma medida administrativa para treinamento dos funcionários. Até o momento, não há evidência pública de que a pausa tenha sido criada para contornar a decisão judicial.

O resultado prático, entretanto, é uma nova interrupção para pessoas que tentam imigrar legalmente para os Estados Unidos, agora sem distinção entre as nacionalidades anteriormente selecionadas pelo governo. A política se soma ao endurecimento migratório promovido por Trump, que inclui maior escrutínio de candidatos, revisão de critérios sobre “encargo público”, cancelamentos de vistos e outras restrições de entrada. O governo ainda não informou quando as entrevistas de imigração serão normalizadas.

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