Chanceler da Alemanha se diz “profundamente chocado” após derrota para extrema-direita

Friedrich Merz em entrevista coletiva em Berlim
Friedrich Merz durante entrevista coletiva em Berlim. Foto: Reprodução

O chanceler alemão Friedrich Merz afirmou nesta segunda (7) estar “profundamente chocado” com a derrota da União Democrata-Cristã (CDU) para a Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de extrema-direita, nas eleições regionais da Saxônia-Anhalt.

A CDU recebeu 17,2% dos votos, uma queda de 20 pontos percentuais em relação ao pleito anterior no estado. A AfD alcançou 43,8%, mais que o dobro de seu desempenho anterior, e impôs à legenda conservadora a pior derrota eleitoral em décadas, nas palavras de Merz.

“Desde ontem, não apenas a Saxônia-Anhalt mudou, mas toda a Alemanha”, declarou o líder da CDU após se reunir com dirigentes partidários em Berlim. Ele acrescentou que o resultado “terá consequências”.

Merz reconheceu que sua baixa popularidade influenciou a campanha. “Sei que eu, pessoalmente, fui um tema constante nesta campanha eleitoral”, disse o chanceler, que lidera o governo de coalizão com o Partido Social-Democrata (SPD).

Ulrich Siegmund, líder da Alternativa para a Alemanha (AfD). Foto: Fabrizio Bensch/Reuters

Merz quer negociar pontos das reformas com o SPD

O chanceler afirmou que discutirá nos próximos dias com o SPD aspectos da reforma da previdência e o volume da reforma tributária. Ele também disse que a direção geral das mudanças propostas pelo governo permanece correta.

Ao comentar a reação ao resultado, o chanceler prometeu explicar melhor aos eleitores os objetivos de seu programa. “Minha determinação em prosseguir com o caminho de reformas permanece inabalada”, afirmou, ao defender que as medidas não constituem um fim em si mesmas.

O governo enfrenta pressão para reaquecer a economia alemã, que segue estagnada, e divergências internas sobre política social, sobretudo em relação às aposentadorias. Desde que assumiu o governo em 2025, Merz também adotou medidas mais duras contra a imigração irregular, sem conseguir elevar seus índices de aprovação.

O chanceler descartou deixar o cargo após a derrota. “Desistir não é uma opção para mim”, declarou. Ele lembrou que Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental terão eleições regionais em duas semanas e disse que a CDU e a coalizão analisarão os próximos passos depois desses pleitos.

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