
Uma fotografia oficial do Departamento de Estado dos Estados Unidos mostra Fernando Cerimedo ao lado do presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, durante reunião com o secretário de Estado americano Marco Rubio, em 7 de março de 2026.
A imagem foi publicada pela diplomacia americana. Ela contradiz a versão de Paz de que o ex-assessor de Milei e dos Bolsonaros teria atuado apenas durante a campanha eleitoral e no início de seu governo.
A cena ocorreu durante a cúpula “Escudo das Américas”, realizada no Trump National Doral Miami, em Doral, na Flórida. Na mesa aparecem Rubio, Paz, Cerimedo e Fernando Aramayo, ministro das Relações Exteriores da Bolívia, quatro meses após as eleições naquele país.
Paz reconheceu que Cerimedo foi seu estrategista durante o segundo turno eleitoral de 2025 e que colaborou no início de seu governo. Declarou que ele nunca teve autorização para representar a Presidência, o governo ou sua família.
Mentira.
Beller mostrou que a relação não terminou no início da gestão. “Se o senhor pretende insistir que sua relação com Cerimedo terminou no início de seu governo, me obriga a demonstrar publicamente que isso não é assim”, escreveu.
A relação de Cerimedo, preso por mandar matar a ex-companheira Nádia Beller, com a política brasileira remonta à eleição de 2022. Ele atuou para a família Bolsonaro durante a campanha eleitoral.
A proximidade com o grupo bolsonarista continuou posteriormente. Em fevereiro de 2026, Eduardo Bolsonaro foi o principal orador de um evento realizado em homenagem ao golpista argentino no resort de Donald Trump em Mar-a-Lago, na Flórida. Recentemente, os dois fizeram uma live atacando as urnas eletrônicas.
Articulação internacional
Beller afirma que Cerimedo utilizou chefes de inteligência policial para monitorá-la e anunciou a publicação de novas conversas, áudios, fotografias e registros de localização.
Ela relata que Cerimedo lhe contou que tinha relações com a CIA, a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos.
A atuação internacional de Fernando Cerimedo inclui uma ligação empresarial com Brad Parscale, ex-gerente da campanha de reeleição de Donald Trump em 2020. Parscale forneceu tecnologia e equipe para suas operações políticas na América Latina, de acordo com o próprio Cerimedo.
Parscale, que comandou a campanha de Trump antes de ser substituído menos de quatro meses antes da eleição, trabalhou com consultores envolvidos na campanha presidencial de Nasry Asfura, candidato da extrema-direita hondurenha apoiado por Trump.
Nos dias anteriores à eleição hondurenha, Trump declarou apoio a Asfura e, posteriormente, anunciou o perdão de Juan Orlando Hernández, ex-presidente de Honduras pertencente ao mesmo Partido Nacional de Asfura. Hernández havia sido condenado nos Estados Unidos por trabalhar com cartéis para enviar cocaína ao país.
As manifestações de Trump alteraram o cenário na reta final da eleição. A apuração terminou marcada por uma disputa apertada entre Asfura, de 67 anos, e Salvador Nasralla, de 72, candidato de outro partido de direita.
Parscale confirmou que prestou assessoria à campanha de Asfura, mas afirmou que não teve participação nem na decisão de Trump de apoiar o candidato nem no perdão concedido a Hernández.
Nesse evento de 2025, Eduardo Bolsonaro apresenta orgulhoso o amigo Fernando Cerimedo – esse que foi preso por mandar matar a amante grávida. Apesar disso, esse não é o principal ponto. Há muitas camadas nas falas de Eduardo e Cerimedo.
Quando começa a falar em inglês, Cerimedo…
— ⚖️WE THE PEOPLE 🙌 .•. (@Boscardin) August 20, 2026