
A extração do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, não contém menções a pagamento ou patrocínio para o documentário “Lula”, dirigido por Oliver Stone. O material apreendido pela Polícia Federal abrange mensagens de julho de 2012 a 17 de novembro de 2025, período que inclui a produção e o lançamento do filme, em maio de 2024.
Daniel Bialski, advogado do banqueiro, também desmentiu a Veja e negou que o cliente tenha falado sobre um repasse para o documentário. “O que posso afirmar é que ele não prestou nenhum novo depoimento à Polícia Federal discorrendo sobre isso”, disse ao Correio Braziliense.
Um áudio divulgado pela revista Veja nesta sexta (9) atribui a Vorcaro a afirmação de que ele teria financiado o filme sobre o presidente. “O filme do Lula eu coloquei acho que até mais [que no filme sobre Jair Bolsonaro]. Só que o do Lula foi por fora, foi errado”, diz a gravação.
A revista afirmou que um documento levado à Procuradoria-Geral da República (PGR) em junho trataria de cerca de R$ 30 milhões em espécie destinados ao documentário e de pagamentos ao Instituto Lula. Fontes da PGR e da Polícia Federal negaram a existência desse documento, disseram desconhecer o áudio e apontaram tentativa de interferir na eleição.
Em nota, a PGR declarou que Vorcaro não prestou depoimento oral porque a proposta de colaboração premiada não avançou. O órgão afirmou que as tratativas ocorreram por advogados contratados pelo investigado e que não houve interlocução direta entre o ex-banqueiro e representantes da Procuradoria.

Mensagens citam filmes sobre Bolsonaro e Temer
As conversas extraídas do aparelho registram tratativas sobre investimentos em “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, e sobre uma produção relacionada ao ex-presidente Michel Temer. Em janeiro de 2025, Vorcaro escreveu ao cunhado Fabiano Zettel sobre o filme de Bolsonaro: “Esse é o mais importante disparado. Não pode falhar mais”.
Em novembro de 2023, Zettel perguntou qual empresa faria o filme sobre Temer. Vorcaro respondeu com a indicação de uma companhia e acrescentou: “Mas não queremos logo. Nada. Só participar”. Não há conversa semelhante sobre repasses ao documentário de Stone.
A única referência ao filme “Lula” partiu do advogado Walfrido Warde, na véspera do segundo turno de 2022. Ele enviou a Vorcaro fotos de uma entrevista para a produção e escreveu: “Falei tudo. Em ingres [sic]. Filme do Oliver Stone”. O banqueiro respondeu: “Toppp”.
Os produtores do documentário negaram em maio qualquer recebimento de recursos, investimentos, patrocínios ou contribuições ligados a Vorcaro, ao Banco Master ou a empresas e fundos associados ao grupo.
A campanha de Lula classificou o conteúdo divulgado pela Veja como “grande farsa montada por Flávio Bolsonaro e Vorcaro” e anunciou pedido à PF para investigar as declarações, além de queixa-crime contra o ex-banqueiro e ação indenizatória contra a revista.