
A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), vê erros nas medidas tomadas por Alexandre de Moraes e André Mendonça na crise que envolve o Banco Master e ainda não definiu qual dos dois ministros receberá seu apoio. Seu voto é considerado decisivo nas futuras deliberações do plenário sobre as condutas dos colegas. Com informações de Folha de S.Paulo.
Moraes e Mendonça disputam a adesão de Cármen Lúcia em meio à divisão interna da corte. Os dois ministros afirmam a interlocutores que contam com a ministra, enquanto ela sustenta que decidirá exclusivamente a partir dos elementos dos autos.
O STF deve analisar se Mendonça adotou métodos arbitrários nas apurações sobre o Banco Master e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Essas apurações resultaram em relatório da Polícia Federal que cita Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Em outra frente, os ministros vão discutir a regularidade da decisão de Moraes de usar o inquérito das fake news para pedir investigação contra Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Na terça-feira (1º), Mendonça retirou o sigilo do relatório da PF que reuniu diálogos entre Vorcaro e Moraes.

Voto de Cármen Lúcia divide grupos no Supremo
Antes da reação de Moraes, na quinta-feira (3), Cármen Lúcia telefonou ao colega e manifestou solidariedade diante da exposição pública do caso. Moraes interpretou o contato como um possível aceno, mas a ministra não assumiu compromisso sobre eventuais votações.
O uso do inquérito das fake news contra Mendonça também desagradou a ministra. Ela relatou a pessoas próximas perplexidade com a conduta dos dois colegas e com o desgaste institucional provocado pelo conflito.
Moraes conta com o apoio de Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Mendonça calcula ter os votos de Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e Edson Fachin. Dias Toffoli deve ficar fora das votações por ter se declarado suspeito para atuar nos casos relacionados ao Banco Master.
Aliados de Mendonça defendem que a corte apure suspeitas envolvendo um ministro do STF, enquanto o grupo de Moraes afirma que a iniciativa abriu caminho para que magistrados investiguem colegas sem decisão prévia do plenário. Cármen Lúcia já se alinhou a Mendonça na defesa de um código de conduta para o Supremo, mas acompanhou Moraes em todos os votos da ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado.