Entre os métodos antidemocráticos e autoritários usados pelos bolsonaristas contra seus oponentes, um dos favoritos é a violência e a intimidação explícitas. Incomodados com as amplas mobilizações estudantis a favor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que têm acontecido em diversos pontos do Brasil, muitos estão apelando para esse tipo prática criminosa.
A série de episódios ocorridos nos últimos dias levou autoridades a tomarem medidas. Em entrevista à Agência Brasil sobre ameaças denunciadas por universidades federais, o ministro da Educação, Leonardo Barchini disse em que a pasta tem “uma preocupação grande de que essa violência escale”.
Ele declarou ainda que a Polícia Federal foi acionada e já instaurou inquérito sobre o incêndio na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) ocorrido na quarta-feira (7) — o mais grave e o terceiro em poucos dias a atingir prédios da instituição.
“Após as ameaças verificadas nas redes sociais, nós vamos acionar agora a Diretoria de Crimes Cibernéticos da Polícia Federal, que atua em conjunto com o Ministério da Educação para vários eventos de ameaças na rede escolar e também ameaça de universidades”, acrescentou.
Imagens de mensagens mostram apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) ameaçando a UFPE antes do incêndio. “Vamos explodir o departamento de vocês segundo turno é Flávio nosso ato vai vir mais forte e não vai ser só amor igual vocês esquerdistas de merda”, diz mensagem, reproduzida aqui com os erros da escrita original.
A escritora e vereadora do Recife, Cida Pedrosa (PCdoB), também reforçou as denúncias. “Após o incêndio de ontem (7) na UFPE, foram divulgados prints de grupos anti-Lula com ameaças de bomba. Vereador do Recife, do PL, aparece como administrador de um dos grupos. A PF investiga o incêndio e foi acionada para apurar as mensagens. Exigimos investigação rigorosa e responsabilização”.
Intimidações no RJ
Além das ameaças na UFPE, nesta quinta-feira (8) a Universidade Federal Fluminense (UFF) também informou, em nota, que recebeu denúncias de ameaças à instituição. Na segunda (5) e na terça-feira (6), milhares de estudantes da instituição tomaram as ruas de Niterói em apoio ao presidente Lula.
Conforme noticiado, em um grupo de troca de mensagens intitulado “Juntos com Bolsonaro”, foi enviada uma lista de presença com o título “incendiar UFF de madrugada”, para a adesão dos participantes. Também circula nas redes uma mensagem em que o usuário diz: “To (sic) conversando com Flávio e vamos tacar fogo na UFF”.
Em nota, a UFF disse que “acompanha a apuração em articulação com os órgãos responsáveis e permanece à disposição para colaborar integralmente com as investigações. Seguimos atentos à situação, pautando nossa atuação pela agilidade e responsabilidade, para garantir a segurança de toda a comunidade universitária, a preservação da vida e a proteção do patrimônio público”.
A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) também chamou atenção para a gravidade do caso. “A UFF denunciou à Polícia Federal uma série de ameaças que a comunidade acadêmica vem recebendo esta semana, após grandes mobilizações estudantis a favor de Lula. As ameaças se assemelham às que antecederam os incêndios na UFPE”, declarou.
As manifestações dos estudantes, prosseguiu a parlamentar, “estão ganhando corpo em todo o Brasil e os inimigos do povo e da democracia, aliados de Flávio Bolsonaro, estão tentando freá-las na base do terrorismo. Não conseguirão”.
Soma-se a essas ocorrências ao menos outras duas. O PT de Campos dos Goytacazes (PT) e o Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro-NF) denunciaram ameaças de bolsonaristas contra estudantes da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf). O alvo dos ataques seriam apoiadores do presidente Lula (PT).
Segundo denunciado, as mensagens estariam circulando em grupos de mensagens, um deles denominado “Campistas com Bolsonaro”. Um boletim de ocorrência foi registrado na 134ª DP, no centro de Campos. Uma das mensagens dizia “vamos tombar os petistas no R.U (Restaurante Universitário)”, escreveu um integrante. A data do envio, 8 de outubro, coincide com a de uma plenária organizada pelo grupo “Uenf com Lula”.
Há ainda notícias sobre denúncias desse tipo envolvendo ameaças a professores e estudantes da Universidade Federal de Alagoas e da Estadual de Londrina (PR).
Intimidação armada
Por fim, vale mencionar caso ocorrido nesta quinta-feira (8) em São Cristóvão, na Grande Aracaju (SE): durante ato de apoio à reeleição do presidente Lula em frente ao campus da Universidade Federal de Sergipe (UFS), um policial militar de folga foi até o local armado, assustando dos manifestantes. Testemunhas dizem que ele teria atirado para o alto.
Conforme noticiado pelo portal UOL, a Secretaria de Segurança Pública do estado informou que o policial foi identificado como Manoel Messias dos Santos. A Polícia Civil comunicou que vai instaurar um inquérito policial para apurar o caso.
Em nota, a UFS disse que “repudia qualquer forma de violência ou intimidação, independentemente de orientação política, e reafirma seu compromisso com a segurança da comunidade acadêmica, a liberdade de expressão e a convivência democrática e pacífica”.