A verdade sobre o ‘tesouraço’ de Flávio Bolsonaro

O projeto econômico articulado em torno de Flávio Bolsonaro prevê um corte drástico de investimentos equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), o que representa cerca de R$ 200 bilhões a menos no orçamento federal. Inspirada nas cartilhas do republicano Donald Trump nos Estados Unidos e do ultraliberal Javier Milei na Argentina, a proposta capitaneada por Daniela Marques, pupila e sócia de Paulo Guedes, mira a destruição de serviços essenciais, o estrangulamento da classe média e a precarização profunda de áreas vitais como saúde, educação e previdência social.

O diagnóstico é do cientista político Pedro Costa Jr., apresentado no Observatório de Geopolítica [confira abaixo]. Para ele, há um esforço deliberado de camuflagem, mas o plano existe e possui diretrizes cristalinas. “Quem pensa que Flávio Bolsonaro não tem um projeto para o Brasil está enganado. Flávio Bolsonaro tem um projeto para o Brasil, e esse projeto é claro. Qual é o projeto? O plano que ele chama de tesouraço”, alertou.

Segundo Costa Jr., a inspiração externa já apresenta resultados dramáticos em seus países de origem e serve como laboratório para a proposta brasileira. Enquanto nos EUA o modelo de cortes tentou reproduzir um forte enxugamento de gastos, na Argentina a “motosserra” de Milei elevou a pobreza a patamares alarmantes.

“O tesouraço de Flávio Bolsonaro está inspirado em Javier Milei na Argentina, na motosserra da morte que o Milei tocou sobre a Argentina nesses últimos dois anos. Qual o resultado? Um terço da população da Argentina está em situação de pobreza e insegurança alimentar, ou seja, um em cada três argentinos não sabe se vai comer no fim do dia”, pontuou.

Na avaliação do cientista político, o grande alvo dessa estratégia no Brasil será a classe média, que sofrerá um forte processo de esmagamento econômico, acompanhado pela asfixia dos principais programas de proteção social retomados pelo governo Lula.

Na área educacional, o plano resultaria no colapso de bolsas de fomento da Capes e do CNPq, além do desmonte do programa Pé-de-Meia, fundamental para a permanência de jovens no ensino médio. Já no setor de saúde, a mira recui sobre serviços essenciais.

“Do ponto de vista da saúde, nós temos o fim da Farmácia Popular, a precarização do SUS, uma nova contrarreforma da previdência que significa que a gente vai estar velhinho, tendo que trabalhar para poder sobreviver”, destacou.

Por fim, o Observatório de Geopolítica alerta que o projeto ultraliberal também embute uma forte vertente de subordinação externa. O plano contaria, ainda, com uma agenda de desmonte soberano e entrega dos recursos estratégicos e territoriais do país aos interesses geopolíticos de potências estrangeiras, consolidando um perfil de profundo entreguismo econômico.

Assista ao vídeo abaixo na TV GGN:

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