
O bispo de Livramento de Nossa Senhora (BA), dom Vicente Ferreira, processou o influenciador bolsonarista Allan dos Santos por ofensas dirigidas a ele e a integrantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A ação pede a remoção urgente dos conteúdos e impede novas agressões contra o religioso. Com informações de Metrópoles.
Os ataques partiram de uma transmissão de Allan dos Santos em 28 de setembro, quando ele exibiu uma publicação de dom Vicente em defesa da CNBB. Na mensagem, o bispo havia escrito: “Valei-nos, Mãe Aparecida! Nossa rainha e padroeira”.
Durante a live, Allan chamou o bispo de “verme”, afirmou que ele “serve a Lúcifer” e fez ataques homofóbicos, sexuais e escatológicos. O influenciador, que se declara católico e é ex-seminarista, também usou expressões como “bispos de Satanás” e “cloaca de Satanás” contra membros da conferência.
A ação sustenta que as agressões atingem a identidade religiosa de dom Vicente, seu ministério e sua relação com os fiéis. Ao estender os ataques a outros bispos, o conteúdo também procura desqualificar a atuação da Igreja Católica, afirma o processo.
com vocês, três minutos de Allan dos Santos chamando bispos católicos de “viadinhos que servem a Lúcifer”
excelente Allan, mostra pra galera o que a extrema-direita pensa da igreja católica 🕊️ pic.twitter.com/1NC3iFg0KX
— William De Lucca (@delucca) October 1, 2026
Processo pede retratação pública por 30 dias
Além da retirada das publicações, a defesa do bispo pede que Allan dos Santos se abstenha de repetir as ofensas. A ação requer ainda uma retratação pública nos mesmos canais usados para os ataques, com destaque equivalente e permanência mínima de 30 dias.
Um levantamento anexado ao caso apontou aumento dos comentários na publicação de dom Vicente após a transmissão. O total de respostas passou de 1.619, antes da live, para 3.079 em 1º de outubro.
Os comentários reunidos no levantamento incluem insultos e tentativas de desqualificação religiosa, além de manifestações de apoio e discussões entre usuários. A documentação busca relacionar a ampliação das interações ofensivas à live de Allan dos Santos.
Allan integra o núcleo bolsonarista que atua nos Estados Unidos e mantém proximidade com o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O caso ocorre em meio a ataques recorrentes contra a CNBB desde 2018, que também envolvem setores fundamentalistas do catolicismo e grupos evangélicos.