Banco Master contratou escritório de mulher de desembargador da “Turma KN”

O desembargador Newton Ramos, Gabriel Ramos e Camilla Ramos. Reprodução

Arquivos e mensagens encontrados pela Polícia Federal no celular do banqueiro Daniel Vorcaro indicam que o Banco Master contratou o escritório da advogada Camilla Ramos, mulher do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Nas conversas, Newton aparece identificado como integrante da “Turma KN”, referência às iniciais do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). Com informações de O Globo.

Nunes Marques negou ter mantido contato com Vorcaro ou ter feito pedidos ao banqueiro. “Nunca votou a favor de Vorcaro do Master, nunca trocou mensagens com o banqueiro e nem pediu nada a ele”, afirmou o ministro em nota. Ele também declarou que não autorizou ninguém a falar em seu nome.

O contrato com o escritório de Camilla Ramos previa honorários de 5% sobre o benefício econômico bruto que o banco obtivesse em ações relativas a precatórios do setor sucroalcooleiro. Uma planilha apreendida atribuiu cerca de R$ 8,5 bilhões aos créditos relacionados no documento, o que poderia levar a remuneração do escritório a aproximadamente R$ 427 milhões.

Contrato do Banco Master S/A com Camilla Rose Ewerton Ferro Ramos. Reprodução

Mensagens tratam de hospedagem, Fórmula 1 e camarote

Em maio de 2025, uma funcionária do setor de marketing do Master informou a Vorcaro que recebera de Newton um pedido por tarifa “promocional” para uma diária de Nunes Marques no hotel Fasano, em São Paulo. Após ser consultado, o banqueiro respondeu: “Pode pegar e colocar minha conra [sic]”. Em seguida, corrigiu a mensagem para “Conta”.

Em sua manifestação, Nunes Marques também negou ter recebido valores de Vorcaro. O ministro afirmou que votou contra os interesses do banqueiro nos julgamentos sobre a prisão do ex-dono do Master e manteve a medida analisada pela Segunda Turma do STF.

Newton pediu a Vorcaro, em outubro de 2024, que tratasse da “questão da Fórmula 1”, dez dias antes do Grande Prêmio realizado em Interlagos. Em outra conversa, buscou entradas para um show no hotel Rosewood, em São Paulo. Um contato ligado ao banqueiro ainda encaminhou, em fevereiro, uma solicitação de inclusão de seis nomes em camarote na Marquês de Sapucaí para a “turma do KN/Newton”.

O desembargador declarou que mantinha relação pessoal com Vorcaro antes dos fatos investigados e sustentou que pedidos relativos a imóveis e transportes ocorreram no âmbito privado, sem ligação com sua função pública. “Nunca julguei qualquer causa de interesse do Banco Master”, disse Newton. O escritório de Camilla Ramos afirmou que atuou para o banco regularmente, dentro dos limites legais e com habilitação nos processos.

As mensagens também registram que Camilla Ramos acompanhava no STF um julgamento sobre tese jurídica com possível impacto em processos ligados aos precatórios do setor sucroalcooleiro. Em junho de 2025, ela classificou como “excelente” a manifestação de Nunes Marques no caso. O ministro havia se declarado impedido inicialmente, por ter atuado no processo quando integrava o TRF-1, mas reviu a posição e participou do julgamento por considerar que a discussão envolvia uma tese ampla.

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