
A ministra da Gestão e da Inovação, Esther Dweck, afirmou no sábado (10), em São Paulo, que o apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) contraria valores judaicos. Judia e ex-aluna de colégio judaico, ela discursou em ato promovido pelo grupo Judeus e Judias pela Democracia. Com informações de UOL.
“Talvez muitos de vocês não saibam, mas sou judia, estudei em colégio judaico até os 17 anos e fico muito triste de ver gente tentar transformar os valores judaicos em apoio a alguém que representa tudo que é o oposto do acreditamos e contra o que lutamos”, disse a ministra.
Desde 2017, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estreitou relações com lideranças judaicas conservadoras e transformou o apoio de setores da comunidade em ativo eleitoral, inclusive entre evangélicos simpáticos a Israel.
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro anunciou o oftalmologista Claudio Lottenberg, de 66 anos, como futuro ministro da Saúde caso vença a eleição. Presidente afastado da Confederação Israelita do Brasil, Lottenberg integra um setor da comunidade judaica identificado com a direita.

Dweck rebate acusações de antissemitismo contra Lula
Filha de uma família com origens na Tunísia e no Marrocos, Dweck também contestou acusações contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva relacionadas às posições do governo sobre a guerra em Gaza e o conflito entre Israel e Palestina.
“Tentam deturpar fala do Lula para colocar a comunidade judaica contra tudo o que eu acredito. O que presidente Lula defende é a paz no Oriente Médio. Ele fala isso de todas as formas”, afirmou Dweck.
A ex-ministra Simone Tebet (PSB), terceira colocada na disputa pelo Senado em São Paulo, citou a escalada do nazismo na Alemanha de Adolf Hitler e do fascismo na Itália de Benito Mussolini. “Eles estão sequestrando os veículos de comunicação e fazendo fake news. Vocês sabem qual é o próximo passo”, declarou.
Tebet afirmou que viu em um grupo de WhatsApp do PL uma imagem de Flávio Bolsonaro estilizado como Mussolini. “É disso que estamos tratando nessa luta”, disse. A ex-ministra Marina Silva (Rede) defendeu a atuação do Estado contra desigualdades e criticou a ideia de que trabalhadores negociem em condições iguais com empregadores.
O encontro ocorreu na Casa do Povo, no Bom Retiro, espaço fundado em 1946 por judeus, em sua maioria imigrantes. Após os discursos, participantes ergueram Marina Silva em uma cadeira ao som de “Siman Tov u’Mazel Tov”, canção tradicional judaica de celebração.