Ao rebater críticas, Alcolumbre leva caso Flávio-Vorcaro ao Senado e cita “R$ 130 milhões”

Alcolumbre
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Foto: Ton Molina/Agência Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), levou ao plenário nesta quarta-feira (2) a relação entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro ao reclamar das críticas que vem recebendo em meio à crise envolvendo o ex-banqueiro e Alexandre de Moraes. “Todo mundo esqueceu que pediram 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme, e agora o culpado sou eu e o ministro Alexandre de Moraes”, afirmou.

Alcolumbre não citou Flávio nominalmente nesse trecho, mas fazia referência à negociação para financiar “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Flávio negociou diretamente com Vorcaro um aporte de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na cotação da época, para o projeto. Parte do dinheiro foi efetivamente transferida, mas o valor mencionado pelo presidente do Senado corresponde ao montante negociado para o filme — e não a R$ 130 milhões pagos diretamente a Flávio.

“Eu tenho que voltar para a pauta aqui, porque senão vou ter que responder muitas agressões que, como presidente do Senado Federal, estou recebendo nos últimos dias”, disse Alcolumbre antes de fazer a referência. Ele afirmou que, “no momento adequado”, apresentará um relato mais amplo sobre o assunto. A declaração ocorre quando o senador é pressionado tanto pela ofensiva contra Moraes quanto pela PEC do fim da 6×1

A proposta que acaba com a escala 6×1 foi aprovada nesta quarta pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado e agora precisa passar por dois turnos no plenário. Alcolumbre, porém, ainda não marcou a votação. O texto reduz gradualmente a jornada máxima para 40 horas semanais, mantém os salários e assegura dois dias de descanso por semana.

A resistência do presidente do Senado à proposta não começou agora. A PEC chegou a ficar 85 dias parada em seu gabinete antes de ser enviada à CCJ, e Alcolumbre já havia sinalizado que não pretendia acelerar sua votação. A tramitação só voltou a andar depois de cobranças do governo Lula e de uma reaproximação entre o presidente da República e o comando do Senado.

A demora também levou trabalhadores às ruas. Mobilizações nacionais passaram a pressionar o Senado pela votação do fim da escala 6×1, e Alcolumbre já foi diretamente criticado em protestos pela falta de empenho para levar o tema adiante. Agora, enquanto responde às cobranças citando os R$ 130 milhões buscados junto a Vorcaro para o filme de Bolsonaro, a PEC que afeta a jornada de milhões de trabalhadores continua dependendo dele para chegar ao plenário.

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