Boato – O senador Flávio Bolsonaro seria sócio do empresário conhecido como Careca do INSS após compartilharem endereço.
Análise
Reportagens veiculadas na imprensa sobre o desdobramento de investigações políticas recentes geraram intensa repercussão e controvérsias nas redes sociais. Diversas publicações começaram a espalhar a tese de que haveria uma ligação direta de sociedade entre integrantes do Congresso Nacional e figuras investigadas em esquemas de fraudes em órgãos públicos.
As narrativas que se espalharam com tom de furo jornalístico sustentam que a Polícia Federal teria descoberto um vínculo societário formal, além de aventar supostas interferências no Judiciário e a iminente renúncia de cargos eletivos. O texto que tem sido compartilhado diz o seguinte:
Versão 1: FLÁVIO BOLSONARO ERA O MANDANTE DO R0UB0 DO INSS! MENDONÇA OCULTOU PROVAS E CORRE RISCO SÉRIO! Você tem noção de que a direita passou o ano inteiro ligando o Lulinha ao Careca do INSS? Quebraram os sigilos, fizeram manchetes em todos os veículos. No fim, descobrimos que o sócio do Careca era Flávio Bolsonaro, dividindo até o mesmo espaço para os esquemas. A ironia brutal
Versão 2: Em declaração publicada nas redes sociais, André Janones afirmou que a Polícia Federal teria descoberto uma suposta ligação empresarial entre Flávio Bolsonaro e o chamado “careca do INSS”, alegando que empresas ligadas aos dois funcionariam na mesma sala e que ambos teriam sido vistos juntos no local. Janones também fez outras acusações envolvendo decisões atribuídas ao ministro André Mendonça e afirmou que Flávio poderia retirar sua candidatura. As declarações foram feitas pelo deputado federal e não devem ser tratadas como fatos comprovados sem confirmação oficial das autoridades ou apresentação de documentos que sustentem as acusações. Flávio Bolsonaro e os demais citados devem ter assegurado o direito ao contraditório.
Checagem
Para verificar a alegação, analisamos as informações sobre as empresas envolvidas e as conexões empresariais divulgadas nas reportagens, respondendo às seguintes perguntas: 1) Foi revelado que Flávio Bolsonaro é sócio do Careca do INSS? 2) O que foi revelado de ligação entre Flávio Bolsonaro e o Careca do INSS? 3) Há algo de errado entre ambos compartilharem o coworking e o contador?
Foi revelado que Flávio Bolsonaro é sócio do Careca do INSS?
Não. Até o momento, não foi apresentada documentação que mostre Flávio Bolsonaro como sócio de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. O que foi revelado é uma coincidência de endereço entre empresas relacionadas aos dois.
A reportagem divulgada pela ICL informa que a Bravo Grafeno, empresa de capacetes que tem Flávio Bolsonaro entre seus sócios, está registrada na sala 2601 do Edifício Connect Towers, em Águas Claras, no Distrito Federal. O mesmo endereço aparece relacionado a diversas empresas ligadas a Antunes.
O levantamento citado pela reportagem identificou pelo menos 16 empresas relacionadas ao “Careca do INSS” registradas no mesmo endereço. Isso é uma informação relevante e pode justificar questionamentos e eventual apuração, mas não permite concluir que Flávio seja sócio de Antunes.
O que foi revelado de ligação entre Flávio Bolsonaro e o Careca do INSS?
Além do endereço compartilhado, existe uma conexão envolvendo a empresa de contabilidade utilizada por negócios ligados a Flávio Bolsonaro. A Voga Serviços Contábeis presta serviços à Bravo Grafeno. Um de seus integrantes, Alexandre Caetano dos Reis, é apontado como sócio de Antunes em uma empresa no exterior e está preso no contexto das investigações da Operação Sem Desconto. A ligação foi descrita em reportagens que analisaram a estrutura empresarial relacionada ao caso.
A reportagem do Poder360 também mostrou que a coincidência de endereço levou parlamentares a pedir investigação sobre uma possível conexão. Pedir investigação, porém, não significa que uma irregularidade ou sociedade entre Flávio Bolsonaro e Antunes tenha sido comprovada.
Também não há, nas informações apresentadas, comprovação de que o ministro André Mendonça tenha ocultado provas para beneficiar Flávio Bolsonaro ou de que a Polícia Federal tenha concluído que o senador era sócio do “Careca do INSS”. Essas são acusações adicionais feitas nas redes sociais e não podem ser tratadas como fatos estabelecidos sem documentação ou confirmação oficial.
Há algo de errado entre ambos compartilharem o coworking e o contador?
O compartilhamento de um endereço empresarial ou a contratação de uma mesma empresa de contabilidade não constitui, por si só, prova de crime ou de sociedade entre empresas.
É comum que empresas utilizem escritórios virtuais, coworkings e estruturas compartilhadas para estabelecer endereço comercial ou fiscal. No caso analisado, a própria reportagem descreve o espaço como um local utilizado por diferentes empresas. O advogado que recebeu a equipe do ICL confirmou que a Voga presta serviços à Bravo Grafeno, mas afirmou que a sala 2601 funcionaria como coworking e não pertenceria à empresa de contabilidade.
Isso não impede que eventuais conexões sejam investigadas. A relação entre o contador e empresas ligadas a Antunes é um elemento que pode ser analisado pelas autoridades. O ponto central é que uma conexão empresarial ou contábil não deve ser transformada automaticamente em uma conclusão sobre participação no esquema de descontos indevidos do INSS.
Conclusão
Não foi revelado que Flávio Bolsonaro seja sócio do “Careca do INSS” ou que tenha sido apontado como mandante das fraudes contra aposentados. O que existe é uma coincidência de endereço entre empresas ligadas aos dois e uma conexão por meio de uma empresa de contabilidade cujo sócio é apontado como ligado a Antunes. Essas informações podem ser investigadas, mas não comprovam a sociedade ou as demais acusações que passaram a circular nas redes sociais.
Fake news ❌
Ps: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo e-mail [email protected] e WhatsApp (link aqui: https://wa.me/556192755610)