
A Justiça de São Paulo negou nesta sexta-feira (16) o pedido do advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), para recuperar R$ 163 milhões que afirmou ter perdido em apostas na Blaze. Ele alegou vício em jogos e falhas da plataforma, mas o juiz Guilherme Madeira Dezem, da 44ª Vara Cível da capital, considerou que o apostador assumiu voluntariamente os riscos.
Segundo reportagem de Victor Aguiar e Demétrio Vecchioli, do Metrópoles, o magistrado destacou que o próprio advogado pediu condições especiais para realizar apostas de alto valor. Entre elas estavam mesas exclusivas de blackjack e aumentos sucessivos dos limites, até chegar à possibilidade de apostar R$ 500 mil por jogada. Na decisão, Dezem afirmou que Tomaz “solicitou pessoalmente e obteve a criação de mesas privativas e exclusivas de apostas em valores exorbitantes”.
O juiz também rejeitou a responsabilização da plataforma pelo sofrimento provocado pelas perdas. Para ele, o “dissabor, a angústia e o abalo emocional” são consequências dos riscos assumidos pelo apostador. Apesar de negar a devolução do dinheiro, determinou que o advogado não seja mais importunado pela empresa.
Na ação, a defesa de Willer sustentou que a Blaze falhou na adoção de medidas de jogo responsável. O advogado apresentou laudo sobre ludopatia e alegou que a empresa permitiu a continuidade das apostas apesar de sua condição. Documentos anexados ao processo registram cerca de R$ 4,8 bilhões em ganhos e R$ 4,963 bilhões em perdas nos jogos de cassino em 2025, resultando no saldo negativo de aproximadamente R$ 163 milhões. Os valores acumulados nas sucessivas rodadas não correspondem a depósitos de dinheiro novo nesse montante.

A disputa já havia levado a outra decisão desfavorável ao advogado em setembro, quando a Justiça rejeitou o bloqueio preventivo de cerca de R$ 145 milhões da Blaze. Na ocasião, a defesa pretendia reservar patrimônio para garantir o pagamento de uma eventual condenação. Dezem considerou insuficientes os argumentos sobre risco de esvaziamento das contas da empresa. Aquela decisão tratava da tentativa de assegurar recursos antes do julgamento do pedido de ressarcimento.
O processo também expôs o atendimento VIP oferecido pela plataforma. Willer chegou ao nível 171 do programa de fidelidade e tinha um funcionário dedicado a atendê-lo pelo WhatsApp. Em conversas anexadas aos autos, reclamou do reconhecimento facial exigido nos saques e conseguiu autorização para realizar retiradas sem a verificação. Os diálogos também registram discussões sobre formas de contornar limites e exigências da regulamentação das apostas.
A proximidade com Flávio envolve viagens e o uso de imóveis do advogado. Segundo o Metrópoles, o senador ficou hospedado em um apartamento de Willer em São Paulo, realizou a festa de aniversário da filha em uma casa dele em Angra dos Reis e viajou com o amigo ao exterior cinco vezes em 2025. Os dois também dividiram um voo de volta dos Estados Unidos ao Brasil.