Sakamoto: Metade dos jovens brasileiros diz estar exausta da polarização política

Imagem ilustrativa sobre polarização e disputa de forças – Foto: iStock

Por Leonardo Sakamoto no UOL

A disputa acirrada entre os polos políticos tem um efeito que vai além das urnas: ela está deixando parte dos brasileiros esgotada. Levantamento BTG/Nexus revela que 38% dos eleitores percebem a influência da polarização na eleição de 2026 e afirmam se sentir cansados ou incomodados com esse cenário.

O grupo dos que se dizem à vontade com o clima de confronto é bem menor, de 13%. A mesma fatia se declara indiferente. Outros 23% não acreditam que a polarização esteja interferindo no processo eleitoral, e 13% não opinaram. Somados, quase dois em cada três entrevistados (64%) reconhecem que a divisão política marca a corrida presidencial deste ano. A margem de erro é de dois pontos.

Entre os eleitores com ensino superior, 57% relatam cansaço, o índice mais alto entre todos os grupos analisados. O incômodo também supera a metade entre pessoas sem religião (54%), jovens de 16 a 24 anos (52%) e moradores de regiões metropolitanas (50%). Na faixa de renda acima de cinco salários mínimos, o percentual chega a 48%.

Manifestação pró-Lula – Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O retrato muda nas camadas de menor escolaridade e renda. Só 23% de quem cursou até o ensino fundamental e 27% dos desempregados se dizem desgastados com o embate político. Nesses segmentos, porém, aumenta a parcela que discorda da premissa ou não sabe responder: o índice de “não sabe/não respondeu” atinge 24% entre os eleitores com ensino fundamental e 21% entre os que recebem até um salário mínimo.

Regionalmente, o Nordeste (30%) e o Sul (32%) registram os níveis mais baixos de fadiga com a polarização.

Para Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, os anos de radicalização produziram um efeito colateral de esgotamento em boa parte do eleitorado. Na avaliação dele, candidaturas que apostam em discursos voltados apenas aos próprios apoiadores e na exploração da rejeição ao adversário correm o risco de perder um grupo decisivo de eleitores, que procura moderação e propostas concretas.

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