
A sabatina de Flávio Bolsonaro foi um aperitivo de sua personalidade e estatura política. Inseguro, atropelava a entrevistadora sempre que a pergunta tocava em algo que não o favorecia. Foi assim sobre sua relação com Vorcaro, sobre o Estatuto do Desarmamento e diante da mínima contradição. Um verdadeiro anão político.
Apresentou ideias sem nexo, como um SUS padrão “Hospital Albert Einstein” e a venda de ativos como ajuste fiscal. Não há pé nem cabeça em um ajuste que não mexa em nenhum direito conquistado. Mentiu sobre isso, mentiu sobre a escala 6×1 e, de forma cínica, defendeu salários e jornadas por hora trabalhada.
Seu despreparo e destempero foram premiados pela omissão da entrevistadora em impor limites. Ele usou e abusou da tática de não responder às perguntas, desenvolvendo raciocínios desconexos voltados ao público.
A omissão ficou evidente na superficialidade das perguntas sobre Daniel Vorcaro e na ausência de qualquer alusão à pressão que os EUA exercem hoje sobre o Brasil. Na sabatina de Lula, ela mencionou essa pressão, mas aqui não questionou as conexões da família Bolsonaro com ela.
Um capítulo triste do jornalismo político brasileiro. O Brasil não merece a possibilidade de um ser tão minúsculo ocupar a Presidência da República. O jornalismo brasileiro deve ir ao divã. A sabatina de hoje premiou a impostura como forma de intimidação. Intimidação e omissão, duas faces da mesma moeda.