Ato falho? Flávio Bolsonaro admite que dinheiro de Vorcaro para “Dark Horse” era “ilícito”

Flávio Bolsonaro – Foto: Reprodução

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira (16), durante entrevista à TV Globo, que o dinheiro repassado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, era “totalmente ilícito”. A declaração, registrada em vídeo, ocorreu quando o senador tentava justificar o financiamento da produção, que recebeu pelo menos R$ 61 milhões do antigo controlador do Banco Master. Flávio defendia a legalidade da operação, investigada pela Polícia Federal (PF), quando utilizou a expressão que pode ter sido um ato falho.

“Era um contrato que não foi cumprido. E com os recursos, né, que foram aportados por ele e mais outros investidores, nós conseguimos concluir o filme. Simples assim, uma relação privada, um dinheiro totalmente ilícito, como era o dinheiro também aqui na Globo”, declarou Flávio. A fala ocorreu após o candidato ser questionado sobre a diferença entre os valores solicitados a Vorcaro e o montante efetivamente destinado à produção. Apesar de ter utilizado a palavra “ilícito”, o senador prosseguiu defendendo a regularidade do financiamento.

Na sequência, Flávio mencionou supostos pagamentos feitos pelo Banco Master à TV Globo. “A Globo, o programa Luciano Huck recebeu, é, mais de 100 milhões de reais… 160 milhões de reais, se não me engano, pra fazer uma propaganda no banco do Vorcaro. E tem… o que tem de errado nisso? Nada.” O candidato também citou o afastamento de um executivo da emissora por atividades relacionadas ao ex-banqueiro. Os valores mencionados pelo senador foram apresentados durante a entrevista, sem documentação comprobatória no trecho divulgado.

“Né, um diretor da Globo acabou de ser exonerado porque ele promovia eventos bancados pelo Vorcaro no Valor Econômico, lá em Nova York… os dados. O que tem uma coisa de errado? Eu acho que não, mas ele feriu a ética, o código de ética da empresa e sofreu as consequências. Então, na minha parte, não tem nada”, acrescentou. Flávio comparou o financiamento da cinebiografia de seu pai a relações comerciais atribuídas ao Banco Master com empresas de comunicação. A declaração sobre dinheiro “totalmente ilícito” ocorreu no mesmo trecho em que o candidato negava ter cometido irregularidades.

As negociações entre Flávio e Vorcaro vieram a público em maio, após a divulgação de áudios e mensagens que registraram um pedido de US$ 24 milhões, aproximadamente R$ 134 milhões, feito pelo senador ao ex-banqueiro. O valor efetivamente repassado chegou a pelo menos R$ 61 milhões, equivalentes a cerca de US$ 12,3 milhões. Uma perícia contratada pela Go Up Entertainment, produtora responsável por “Dark Horse”, calculou o custo do filme em US$ 13 milhões, aproximadamente R$ 75 milhões, e apontou que não houve utilização de recursos públicos na produção.

A Polícia Federal investiga a origem e a destinação do dinheiro transferido por Vorcaro. Em relatório de 12 de setembro, os investigadores afirmaram que ainda precisam esclarecer “a origem, o trânsito, a destinação e os beneficiários finais dos valores movimentados”. A apuração também examina se a empresa “Entre Investimentos e Participações”, pertencente ao empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, foi utilizada para realizar os repasses. Na quinta-feira (15), a PF solicitou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a prorrogação do inquérito por mais 90 dias. O procedimento reúne informações da Agência Nacional do Cinema (Ancine), da produtora Go Up Entertainment e depoimentos relacionados às transferências.

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