
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, chamou o Brasil de “um pequeno país” nesta quarta-feira (14), ao relembrar sua presença na posse de Jair Bolsonaro, em 2019. Durante uma cerimônia em Jerusalém pela inauguração da embaixada da Colômbia, o premiê sugeriu que poderá repetir a viagem. A declaração ocorre após seus gestos de apoio a Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno.
“Os primeiros lugares que visitamos, Sara e eu, foram três países: Colômbia, Argentina e México. Foi uma ótima visita, com uma recepção muito amistosa em cada um desses países. E, aliás, um ano depois, fomos a um pequeno país chamado Brasil, para a posse do presidente Bolsonaro. Quem sabe? Talvez façamos isso novamente”, afirmou.
Netanyahu associou a aproximação com governos latino-americanos a uma recuperação da influência israelense na região. “E agora preciso dizer que algo extraordinário está acontecendo na América Latina. Tudo está voltando. Tudo está voltando. A grande amizade, a grande simpatia, a profunda afinidade entre nossos povos. Uma amizade verdadeira”, declarou. Ao criticar os governos que se afastaram de Israel, atribuiu o movimento a uma “aliança global woke”.
A referência ao Brasil se soma ao posicionamento explícito do premiê na disputa presidencial. Em 5 de outubro, Netanyahu desejou uma “grande vitória” a Flávio Bolsonaro e afirmou esperar o restabelecimento da amizade entre os dois países. Na mensagem, chamou o candidato bolsonarista de amigo.
🇮🇱🇧🇷 Benjamin Netanyahu calls Brazil a “small country” and hint that he is going there again on the inauguration of Israeli-backed Bolsonaro who won the first part of the elections:
“We went to a small country called Brazil, to the inauguration of President Bolsonaro.
Who… pic.twitter.com/SxtfFJjEG1
— Megatron (@Megatron_ron) October 14, 2026
Três dias depois, o chefe do governo israelense telefonou para Flávio Bolsonaro e o convidou a visitar Israel. Segundo comunicado de seu gabinete, os dois trataram da retomada da proximidade bilateral, dentro de uma transformação nas relações com países sul-americanos. Não foi anunciada uma data para a viagem.
A aliança com a família Bolsonaro remonta ao governo anterior. Netanyahu chegou ao Brasil em dezembro de 2018 e participou da posse presidencial em 1º de janeiro de 2019. A aproximação incluiu a promessa de Jair Bolsonaro de transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, seguindo os Estados Unidos. A mudança não foi concretizada durante seu mandato.
Sob Lula, as relações passaram a ser marcadas por atritos diante das críticas brasileiras às operações militares israelenses em Gaza. O presidente acusa Israel de cometer genocídio contra os palestinos, e o governo israelense o declarou persona non grata. Em setembro, representantes do Brasil deixaram o plenário da Assembleia Geral da ONU antes do discurso de Netanyahu, em protesto contra a atuação israelense no território palestino.