
Pagamentos sob investigação, um “agrado” na Disney e mensagens sobre informações internas do Banco Central estão entre os pontos centrais do depoimento de Daniel Vorcaro à Polícia Federal. Prestada em 28 de agosto de 2026, a oitiva de 2 horas e 51 minutos foi publicada em vídeo neste sábado (12).
Ouvido como investigado, o ex-controlador do Banco Master responde sobre sua relação com os servidores do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana. Vorcaro nega ter oferecido vantagens indevidas e sustenta que as conversas com os dois faziam parte do acompanhamento institucional do banco pela autoridade monetária.
O banqueiro confirma ter oferecido a Paulo Sérgio um serviço de concierge, de apoio durante a viagem com a família para a Disney e chama a oferta de “um agrado”, acreditando que não houve reembolso. Sua explicação é que o atendimento integrava uma estrutura que ele já mantinha e disponibilizava a outras pessoas.
Sobre os pagamentos que Vorcaro atribui a um projeto social ligado a Belline, voltado à formação de jovens negros para o setor financeiro, a Polícia Federal apresenta conversas com seu cunhado, Fabiano Zettel, sobre os repasses e o uso de outras empresas para realizá-los. As mensagens extraídas do celular também orientam perguntas sobre minutas de ofícios enviadas aos próprios servidores do BC para revisão.
O delegado apresenta uma anotação sobre amigos dentro da instituição que teriam participado de reuniões e transmitido informações. “Eu só não posso queimá-los”, diz o registro. Vorcaro responde que não se lembra do contexto da nota.
A tentativa de venda do Master ao BRB e as suspeitas de fraude em carteiras de crédito também entram no interrogatório. Vorcaro sustenta que problemas nas operações foram corrigidos. O delegado lembra, porém, que o Banco Central havia comunicado indícios de fraude ao Ministério Público antes da liquidação da instituição.
Na parte final, os advogados retomam a possibilidade de uma colaboração com as autoridades. Vorcaro diz continuar disposto a contribuir e afirma que poderia abordar outros fatos ainda fora das perguntas daquela oitiva.