
O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) desafiou Flávio Bolsonaro (PL) a participar de um debate em um bar no Rio de Janeiro e prometeu retirar sua candidatura e apoiar o senador caso fosse derrotado no confronto. A proposta foi publicada no X na noite desta quinta-feira (1º), após o cancelamento do debate presidencial da TV Globo, cujo formato Renan Santos acusou de favorecer o adversário.
Em discurso diante de apoiadores na porta da emissora, o candidato chamou o encontro de “jogo de cartas marcadas” e atribuiu sua exclusão inicial a uma exigência para que não participasse. “Eu fui o único a ser excluído do debate. Foi exigida a nossa não participação”, afirmou. Segundo ele, o programa seria um “debate de comadre” destinado a estimular o voto em Flávio Bolsonaro já no primeiro turno.
Renan Santos rejeitou o argumento de que os eleitores precisariam votar no senador para impedir uma vitória de Lula (PT). “Você precisa votar no Flávio no primeiro turno, senão o Lula ganha. É mentira! Isso é mentira”, disse, ao reproduzir a mensagem que atribuiu aos adversários. “Nós não precisamos sucumbir a essa mentira. Não vai rolar, nós não permitimos isso.”
MEU PRONUNCIAMENTO SOBRE O CANCELAMENTO DO DEBATE pic.twitter.com/YPaDgnLQ7k
— Renan Santos⬛️🟨⬜️ (@RenanSantosMBL) October 2, 2026
O candidato também questionou a ausência dos dois líderes da disputa e afirmou que eles evitavam enfrentá-lo. “Que país é esse em que os dois primeiros colocados fogem como o diabo foge da cruz da droga de um candidato!”, declarou. Ao defender a realização do encontro, perguntou por que um país de 200 milhões de habitantes não poderia conhecer o que os candidatos tinham a oferecer para a Presidência.
Na publicação no X, Renan Santos apresentou as condições para um confronto direto com o senador: “Flávio, tô aqui no Rio perto da tua casa. Bora parar num bar e fazer um debate de boa, X1, eu não falo de escândalos, tratamos apenas de propostas, xingamos juntos o PT. Se me derrotar eu tiro minha candidatura e declaro apoio a você.”
Flávio, tô aqui no Rio perto da tua casa. Bora parar num bar e fazer um debate de boa, X1, eu não falo de escândalos, tratamos apenas de propostas, xingamos juntos o PT. Se me derrotar eu tiro minha candidatura e declaro apoio a você.
— Renan Santos⬛️🟨⬜️ (@RenanSantosMBL) October 2, 2026
Horas antes, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia determinado a inclusão de Renan Santos no debate da Globo, na vaga aberta pela ausência de Lula. A ordem assegurava ao candidato as mesmas condições de tempo, perguntas e posição dos demais participantes. Depois da decisão, Flávio Bolsonaro anunciou que não compareceria.
Na justificativa pública para a desistência, Flávio Bolsonaro atribuiu sua decisão ao que chamou de censura do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A ministra Estela Aranha havia proibido a exposição do púlpito vazio identificado com o nome de Lula e as perguntas destinadas ao presidente ausente. O anúncio do senador não mencionou Renan Santos nem a determinação de Gilmar Mendes.
A Globo, por sua vez, cancelou o debate e afirmou que as decisões judiciais tomadas pouco antes da transmissão provocaram “insegurança jurídica”. A emissora classificou as mudanças como interferência na liberdade de organizar debates eleitorais. O encontro previsto para aquela noite não ocorreu.