A última rodada da Quaest mostrou um dado interessante que a imprensa em geral ignora porque, historicamente, prioriza os dados sobre intenção de voto estimulada e cenários de segundo turno na cobertura das pessquisas eleitorais. Mas o fato é que, na pesquisa espontânea – quando nenhuma lista com nomes é apresentada ao eleitor – o resultado ainda é expressivo. A indefinição sobre quem deve ser o próximo presidente da República ainda é mais alta do que as intenções de voto espontâneo em Lula, Flávio Bolsonaro ou qualquer outro dos demais concorrentes. Mais de um terço (35%) dos eleitores ainda não sabe ou não quis dizer espontaneamente em quem vai votar para a Presidência.
Na semana passada, em entrevista ao GGN, o veterano especialista em pesquisas eleitorais, Marcos Coimbra, alertou para a alta indefinição na disputa pelo Palácio do Planalto. Àquela altura, a Quaest mostrava que 41% dos entrevistados ainda estavam indecisos na pesquisa espontânea. Somados aos 2% que pretendiam votar branco ou nulo, ou sequer votar, isso representava quase metade dos eleitores.
Hoje, faltando 12 dias para o primeiro turno das eleições gerais de 2026, a taxa de indecisos caiu de 41% para 35%, 6 pontos a menos. A menção espontânea a Lula subiu de 28% para 31%. A Flávio, de 23% para 26%. A pesquisa espontânea mostra uma tendência bastante clara na série: os indecisos vêm caindo. No início do ano, eram 68%. Chegaram a 41% em 14 de setembro e agora estão em 35%. Ou seja, houve uma redução de 33 pontos percentuais desde janeiro, mas ainda permanece um contingente expressivo, um em cada três eleitores que não manifesta espontaneamente uma escolha.

Indecisos por região
O Sudeste, onde estão os estados que representam os três maiores colégios eleitorais do País, é a região onde a taxa de indefinição é a maior de todas. Na última pesquisa Quaest, divulgada em 21 de setembro, 42% dos moradores do Sudeste disseram que não têm candidato a presidente definido, mais 3% de brancos e nulos, na espontânea. Outros 26% mencionaram Flávio Bolsonaro e 23%, Lula.
O Norte e Centro-Oeste é a segunda maior região com taxa de indefinição maior do que as menções a candidatos, com 34% sem citar um candidato espontaneamente, mais 1% de brancos e nulos. Na região, outros 30% mencionam Flávio e 25% lembram de Lula.

No Sul, a taxa de indefinição vinha alta de agosto a 14 de setembro, batendo 48%. Mas na pesquisa Quaest de 21 de setembro, Flávio Bolsonaro cresceu de 23% para 37% e ultrapassou a margem de indecisos, que está em 34%. Lula é preferência de 19% na região.
Por outro lado, é no Nordeste onde Lula segue favorito absoluto na pesquisa espontânea, com quase metade do eleitorado, 49%, citando seu nome como primeira opção para presidente. Outros 25% dos nordestinos seguem indecisos, e mais 3% disseram que votariam branco ou nulo. Flávio Bolsonaro é citado por 16% na região.
Gênero, renda e escolaridade
Quando a análise do voto para presidente na pesquisa espontânea é feita pelo recorte de gênero, mas mulheres se mostram mais indefinidas que os homens. Hoje, 43% delas (esse índice já chegou a 59%) ainda não saberiam em quem votar, enquanto 28% cita Lula e 22%, Flávio.
Os homens, por sua vez, citam em sua maioria o voto em Lula (32%), ante 29% em Flávio Bolsonaro. Há 27% de indecisos e 3% de brancos e nulos, de acordo com a Quaest de 21 de setembro.

A pesquisa também mostra que quanto menor o grau de escolaridade, maior a indefinição na pesquisa espontânea. Entre os que só têm o ensino fundamental, 39% estão indecisos, enquanto outros 36% citam Lula e 20%, Flávio. Entre aqueles que têm o ensino médio completo, 34% ainda estão indecisos, e há empate técnico (dentro da margem de erro) entre Flávio (27%) e Lula (26%). Já quem tem ensino superior, hoje, cita Flávio (33%) mais do que Lula (26%), mas ainda há 29% de indecisos.
No recorte de renda, a indecisão está caindo vertiginosamente, pesquisa a pesquisa, entre aqueles que recebem até 2 salários mínimos. Hoje, 39% estão indecisos (já foram 53% em agosto), mas 37% já cita Lula espontaneamente, enquanto 17% lembram primeiro de Flávio. No grupo específico que recebe Bolsa Família, 42% preferem Lula, mas 35% ainda se dizem indecisos e 14% citam Flávio como primeira opção.

Entre 2 e 5 salários mínimos, 37% ainda se dizem indecisos, superando os 28% que citam Lula e 24%, Flávio. O candidato do PL conseguiu, nesta pesquisa de 21 de setembro, dar um salto no nicho que ganha mais de 5 salários mínimos, e é citado por 37% (antes, 28%), contra 27% de indecisos (eram 39% na rodada anterior), e 24% que preferem Lula.
Religião e raça
Lula também é preferência clara entre católicos (35% na espontânea, contra 22% de Flávio e 33% de indecisos). Já os evangélicos estão 37% indecisos, 35% preferindo Flávio e apenas 18% citam Lula.

Com as eleições se aproximando, Lula vem crescendo entre pessoas que se declararam de raça negra ou parda (38% e 34%, respectivamente), enquanto Flávio é citado espontâneamente mais vezes entre aqueles que se declaram brancos (34%).