
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), convocou servidores comissionados da prefeitura para participar do ato de campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) neste domingo (18), na avenida Paulista. Em reunião no sábado (17), Nunes também pediu que os presentes divulgassem a mobilização nas redes sociais e em listas de transmissão do WhatsApp. Com informações de ICL Noticias.
Servidores ouvidos pelo ICL Notícias disseram que foram obrigados a comparecer ao encontro, realizado em um casarão na avenida Brasil, nos Jardins. O imóvel havia abrigado o comitê político da campanha de reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
“Se puder estar todo mundo lá. Se puderem postar nas redes sociais convidando as pessoas a estarem lá amanhã, criar a lista de transmissão no WhatsApp”, disse Nunes. Ele ainda orientou os comissionados a “ir para a rua nesses últimos dias para falar com todo o mundo”.
Cerca de 300 pessoas participaram da reunião, entre dirigentes de autarquias e responsáveis por áreas de secretarias municipais, como Educação, Saúde e Habitação. Cargos comissionados não exigem concurso público e são de livre nomeação.

Nunes atacou Lula e anunciou presença de Tarcísio no ato
Ao defender a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, Nunes contrapôs o senador ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Nós estamos falando de salvar o nosso país. Nós vamos salvar. Eles estão arrebentando com tudo. Eles estão nos perseguindo”, afirmou o prefeito.
O prefeito também declarou: “Vocês sabem qual é o único vermelho que vai ter nessa eleição no dia 25? É o cartão vermelho do Lula para o Lula”. Em seguida, pediu que os servidores demonstrassem força na semana final de campanha.
Nunes disse esperar os participantes às 11h na Paulista e anunciou que atravessaria a avenida em uma caminhonete ao lado de Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). “Vamos dar o exemplo e fazer com que o Flávio possa ter uma boa vitória”, declarou.
O advogado Fernando Neisser, professor de Direito Eleitoral da Fundação Getulio Vargas, afirmou que o Ministério Público deve apurar os relatos para verificar se houve constrangimento aos servidores. Para ele, a convocação feita no sábado para um evento no domingo pode estar dentro da legislação, mas a pressão sobre comissionados pode configurar conduta vedada.
Neisser explicou que uma eventual infração pode resultar em multa e, conforme a gravidade reconhecida pela Justiça Eleitoral, atingir a candidatura beneficiada. “Pode, a depender de uma análise de gravidade feita pela Justiça Eleitoral, até levar uma cassação de candidatura do candidato beneficiado”, disse.