
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou neste sábado (17) que a retirada da identificação de munições, prevista em um projeto apoiado por Flávio Bolsonaro (PL), beneficia o crime organizado. A declaração foi feita no comitê da campanha de Lula (PT), em Brasília, segundo o Metrópoles.
“Quem defende que as munições não sejam rastreadas está beneficiando o crime organizado. Alguém que propõe uma lei dessa está legislando a favor da criminalidade, está legislando para o crime organizado”, disse Edinho. Ele acrescentou que a falta de rastreamento interessa a facções e milícias.
O debate envolve o Projeto de Lei 3.723/2019, apresentado pelo governo Jair Bolsonaro e modificado na Câmara dos Deputados. A versão aprovada pelos deputados prevê eliminar exigências de identificação que permitem rastrear a origem de munições e apurar desvios para o mercado ilegal. O texto segue em tramitação no Senado.
A proposta ganhou repercussão depois que Flávio Bolsonaro deixou sem resposta uma pergunta de Renata Lo Prete sobre o tema na sabatina da Globo, nesta sexta-feira (16). A jornalista questionou por que retirar marcações úteis à investigação de crimes. O candidato chamou a identificação de “detalhezinho” e passou a falar de outras medidas de segurança.
Flávio Bolsonaro evitou comentar sobre o projeto que retira a identificação das cápsulas das balas, o que facilita na identificação e eventual investigação de desvios, assassinatos e outros casos. pic.twitter.com/84PDkgK7KX
— deok (@lauricadeok) October 17, 2026
Edinho também cobrou prioridade para a votação da PEC da Segurança Pública. Segundo ele, a proposta está pronta para análise e deve ampliar a articulação da União com os estados no enfrentamento ao crime organizado.
O dirigente afirmou que, após a aprovação da PEC, Lula pretende criar o Ministério da Segurança Pública. A promessa de uma pasta específica faz parte da defesa de maior participação federal na área.
Sobre a redução da maioridade penal, Edinho disse que o assunto ainda precisa ser debatido dentro do partido, na sociedade e no Congresso. Para ele, essa discussão deve ocorrer sem impedir a votação da PEC. “O que nós estamos priorizando é a votação da PEC da segurança. Eu penso que isso que é central”, declarou.