
A delegada seccional de Mogi das Cruzes, Margarette Barreto, é investigada pela Corregedoria da Polícia Civil em meio à apuração sobre supostas regalias a Milton Leite (União Brasil). Uma decisão judicial registra a presença de uma mulher com características semelhantes às dela na unidade onde o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo está preso, segundo a coluna de Alfredo Henrique, do Metrópoles.
A movimentação ocorreu em 9 de outubro, sete dias antes da operação contra os possíveis favorecimentos. Por volta das 13h20, uma viatura descaracterizada chegou ao 1º Distrito Policial de Mogi das Cruzes, de onde desembarcaram dois homens e a mulher descrita no documento.
Segundo o Gaeco, um dos homens entrou na cadeia e retornou acompanhado de uma pessoa com características compatíveis com as de Milton Leite. Ela foi conduzida à área administrativa restrita e permaneceu ali por quase uma hora antes de voltar à carceragem. Pouco depois, a mulher deixou a unidade na mesma viatura.
Na sexta-feira (16), a Operação Custódia (In)Fiel cumpriu buscas para apurar visitas irregulares e favorecimentos na unidade. Foram apreendidos cerca de R$ 155 mil e US$ 10 mil com um carcereiro e em sua residência. A origem dos valores e sua eventual relação com os benefícios continuam sob investigação.

A Justiça descreveu a movimentação como um aparente encontro previamente ajustado. O documento, porém, não confirma a identidade da mulher nem se ela participou da possível reunião.
Existem outras suspeitas de que Leite tenha recebido informações privilegiadas antes de outra operação, a Vectura Corrupta, deflagrada em 17 de setembro. Ele não foi localizado naquele dia e se apresentou no seguinte, negando estar foragido. Não há comprovação oficial de vazamento, e a decisão citada pela coluna não atribui à delegada eventual repasse de informações.
A defesa de Milton Leite nega que ele tenha recebido tratamento privilegiado. Preso desde 18 de setembro, o ex-vereador é investigado por suspeita de atuar como articulador político de um esquema de ligação entre o PCC e empresas de transporte público paulistanas. Ele também nega essas acusações.