O Kremlin comemorou neste sábado (17) a decisão de Donald Trump de suspender novas sanções e tarifas contra a Rússia. Kirill Dmitriev, enviado de Vladimir Putin para assuntos econômicos, chamou o recuo de “momento histórico”.
A medida abre uma fissura na pressão ocidental sobre Moscou e representa uma vitória política para o governo russo.
Trump assinou a ordem executiva na sexta-feira (16), antes da entrada em vigor das medidas previstas na Lei Lindsey Graham. O presidente justificou a suspensão como necessária ao interesse nacional dos Estados Unidos. A legislação autorizava tarifas de até 100% sobre produtos de países que comprassem petróleo e gás russos, incluindo grandes parceiros comerciais de Moscou, como China e Índia.
O recuo ocorre uma semana depois de Trump anunciar um acordo com Putin para a Rússia fornecer diesel aos mercados internacionais. O presidente disse que mais de 300 mil toneladas seriam liberadas de imediato, com novos carregamentos nos meses seguintes.
Washington apresentou o acordo como uma forma de conter os preços dos combustíveis, pressionados pela guerra contra o Irã.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, criticou a decisão e afirmou que o alívio das sanções oferece “recompensas financeiras para Putin” e incentiva a continuidade dos ataques. Ele também disse que forças russas atingiram mais de 15 instalações de energia na Ucrânia na sexta-feira.
O presidente francês, Emmanuel Macron, já havia criticado o acordo do diesel, dizendo que ele envia um sinal negativo e aprofunda a divisão entre os aliados ocidentais. A suspensão das sanções amplia o afastamento entre Washington e Kiev, enquanto os governos europeus mantêm o apoio à Ucrânia.