PF aponta indícios de crimes em mensagens de Flávio sobre dinheiro para Dark Horse

Flávio Bolsonaro
O senador e candidato a presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Foto: Carlos Moura/Agência Senado

A Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) mais 90 dias para concluir a investigação sobre o financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro (PL) que envolve o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). No documento, a corporação cita mensagens, áudios e repasses de Daniel Vorcaro que podem indicar crimes. O pedido ocorre a nove dias do segundo turno.

“Mensagens e áudios atribuídos a Flávio Bolsonaro indicariam sua atuação na cobrança e acompanhamento da liberação dos aportes, circunstâncias que, em tese, podem caracterizar os crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção ativa e passiva, organização criminosa e outros delitos conexos”, afirma a PF. O trecho descreve hipóteses investigadas, ainda sem uma conclusão sobre responsabilidades.

O prazo para a entrega do relatório final terminou em 10 de outubro. O pedido de prorrogação foi dirigido ao ministro André Mendonça, relator do caso, mas o processo está temporariamente no gabinete do presidente do STF, Edson Fachin. A solicitação busca ampliar o período disponível para a análise do material reunido pela investigação.

Segundo a descrição da PF, Vorcaro teria se comprometido a aportar aproximadamente R$ 134 milhões, ou US$ 24 milhões, na produção. A investigação identificou o envio de cerca de R$ 62 milhões, correspondentes a US$ 12,3 milhões, entre fevereiro e setembro de 2025. O ofício menciona documentos sobre essas transferências e transcrições das conversas entre o banqueiro e Flávio.

Dark Horse
Jim Caviezel como Jair Bolsonaro, em “Dark Horse”. Foto: Divulgação/Go Up Entertainment

A rota dos repasses ligados ao filme de Bolsonaro envolve, conforme a PF, a empresa Entre Investimentos e o Havengate Development Fund LP, fundo estadunidense sediado no Texas. A estrutura é administrada por Altieris Santana e Paulo Calixto, advogado próximo ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.

O fundo havia sido criado para um empreendimento imobiliário no Texas que não chegou a ser construído, segundo as informações reunidas pelos investigadores. O inquérito sobre o financiamento da cinebiografia foi aberto em julho, a pedido da Polícia Federal e com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Procurada pelo UOL, a defesa de Flávio afirmou que ainda não teve acesso à documentação. O pedido de mais prazo mantém em aberto a apuração sobre a origem, o percurso e a destinação dos recursos destinados ao filme.

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