Delator diz que pagou fundo ligado a Eduardo Bolsonaro sem saber de “Dark Horse”

Eduardo Bolsonaro
Eduardo Bolsonaro. Foto: Reprodução

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O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior afirmou à Polícia Federal que transferiu US$ 12,3 milhões a um fundo nos Estados Unidos acreditando investir em empreendimentos imobiliários, mas descobriu posteriormente que os pagamentos estariam relacionados ao filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Segundo o Estadão, o relato foi apresentado no primeiro depoimento de seu acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Com informações do Estadão.

Dono da Entre Investimentos, Freixo disse que realizou as remessas a pedido de Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master. Os valores foram destinados ao Havengate, fundo aberto por um advogado de Eduardo Bolsonaro. A investigação apura repasses acertados entre o banqueiro e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sob a justificativa de financiar a produção cinematográfica.

A PF, porém, identificou uma aparente contradição na versão do empresário: um documento assinado por sua empresa mencionava que o dinheiro seria destinado ao filme. Diante dessa divergência, os investigadores solicitaram autorização para colher um novo depoimento do colaborador.

Os comprovantes apresentados por Freixo registram pagamentos ao Havengate entre fevereiro e setembro de 2025. Conforme a PF, as remessas somaram R$ 72 milhões, enquanto o empresário recebeu R$ 90 milhões no Brasil. Ele relatou que os recursos para cobrir as transferências tinham origem no Banco Master e eram repassados depois dos pagamentos ao exterior.

O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior. Reprodução

Na versão do delator, Vorcaro pediu sua participação porque havia um problema na conta de seu cunhado, Fabiano Zettel, fora do país. Freixo afirmou que subscreveu as cotas em nome da Entre Investimentos e que elas seriam posteriormente transferidas ao banqueiro ou ao Master, após a regularização cadastral.

O empresário sustentou que não aceitaria participar do financiamento de uma cinebiografia por considerar a operação prejudicial à reputação de suas empresas. Disse ainda que os documentos de subscrição apresentados a ele tratavam de um investimento imobiliário.

Freixo afirmou que descobriu a suposta finalidade audiovisual por reportagens e procurou os gestores do fundo para pedir o resgate integral dos valores e um demonstrativo dos investimentos. Segundo seu depoimento, as solicitações ficaram sem resposta.

Flávio e Eduardo Bolsonaro são investigados no inquérito. A PF encaminhou ao Supremo Tribunal Federal os resultados das diligências recentes e pediu ao ministro André Mendonça autorização para obter novos documentos, além da prorrogação da investigação por 90 dias. Segundo o Estadão, Eduardo e os demais citados não se manifestaram.

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