Meta recebeu até R$ 2 milhões por anúncios eleitorais pagos do exterior, diz estudo

Pessoa segura celular com a logo da Meta na tela. Foto: Marcin Golba/NurPhoto

O NetLab, laboratório de estudos de internet e redes sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), identificou 1.613 anúncios político-eleitorais pagos em moedas estrangeiras nas plataformas da Meta durante as eleições de 2026. O relatório estima que Facebook e Instagram receberam até R$ 2 milhões para impulsionar as peças entre julho e setembro. Com informações de O Globo.

As propagandas partiram de 187 anunciantes, mencionaram 70 candidatos e alcançaram até 171,1 milhões de impressões. O dólar apareceu como moeda de pagamento em 99,5% dos anúncios analisados, enquanto os anunciantes se concentravam nos Estados Unidos, com páginas também ligadas a Itália, México, Bangladesh e Colômbia.

A legislação eleitoral exige que o impulsionamento político na internet seja contratado por agentes autorizados, identificado como propaganda eleitoral e acompanhado do CPF ou CNPJ do responsável. Candidatos e partidos não podem receber recursos estrangeiros, inclusive por meio do pagamento de anúncios.

Relatório aponta falhas na moderação da Meta

A diretora do NetLab RJ, Rose Marie Santine, afirmou que a própria biblioteca de anúncios da empresa permitiu localizar as peças. “O que percebemos é que a Meta vendeu e veiculou esses anúncios e só depois os retirou. Não vetou antes, e os anúncios ficaram dias no ar, tendo sido vistos por milhões de pessoas”, disse.

O laboratório alertou que o número pode estar abaixo da dimensão real do problema. A Meta só divulga a moeda de pagamento de conteúdos classificados como políticos, e os dados disponíveis não permitem saber por quanto tempo cada anúncio permaneceu ativo antes de uma eventual moderação.

A diretora do NetLab- UFRJ Rose Marie Santini. Foto: Divulgação

Entre as 1.613 peças, 253 tiveram investimentos elevados. Em 40 casos, o gasto pode ter passado de R$ 10 mil, e o anúncio mais caro teria ultrapassado R$ 50 mil. Pelos valores máximos informados na plataforma, os anunciantes estrangeiros ficariam na 11ª posição entre os maiores investidores em publicidade política da Meta no período.

O Sudeste concentrou 106,5 milhões de impressões, ou 62,3% do total. São Paulo respondeu sozinho por 72,5 milhões de visualizações, equivalente a 42% do alcance registrado pelo levantamento.

O NetLab localizou a fonte pagadora em 1.076 anúncios e associou 1.047 deles à Corporativo Lam, LLC, que concentrou 97,3% dos registros identificados. A empresa pode ter investido até R$ 1,6 milhão, mas os pesquisadores não encontraram elementos suficientes para apontar seus responsáveis ou esclarecer sua relação com a disputa eleitoral brasileira.

O estudo também encontrou indícios de uma rede com ao menos 39 páginas anunciantes e 39 sites, responsável por 366 anúncios e gastos estimados entre R$ 418 mil e R$ 676 mil. Os sites publicavam conteúdos idênticos, compartilhavam elementos técnicos e tiveram 37 domínios registrados em apenas 48 minutos.

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