
A presidente do Peru, Keiko Fujimori, anunciou nesta segunda-feira (12) um novo regulamento disciplinar para as escolas públicas do país. As medidas determinam que estudantes do sexo masculino mantenham os cabelos curtos e proíbem o uso de maquiagem, esmaltes e tinturas. O governo também pretende restringir celulares, recuperar as notas de comportamento e permitir a expulsão de alunos por infrações graves.
“A ordem não deve existir apenas nas ruas. Ela também precisa voltar às nossas escolas, às nossas salas de aula”, afirmou Fujimori durante uma cerimônia em Chaclacayo, na região de Lima. A presidente defendeu as mudanças como parte de sua política de combate à violência e ao assédio no ambiente escolar.
“Os menininhos devem vir com o cabelo curto. É totalmente proibido pintar o cabelo ou usar maquiagem”, declarou a mandatária. O ministro da Educação, José Antonio Chang, detalhou que as restrições também incluem unhas pintadas e saias acima dos joelhos. O uso de celulares durante as aulas dependerá de autorização dos professores.
As novas exigências serão aplicadas às escolas públicas, responsáveis pelo atendimento de mais de seis milhões de estudantes. As instituições privadas, frequentadas principalmente por famílias de maior renda, continuarão autorizadas a estabelecer seus próprios códigos de conduta.
A iniciativa faz parte da agenda de Fujimori, que adotou o lema “Peru com Ordem” durante a campanha presidencial. Diante do avanço das extorsões e dos assassinatos relacionados ao crime organizado, a presidente colocou a disciplina entre as prioridades de seu governo. Ao apresentar as novas regras, advertiu que “os mais malcriados não estarão nas salas de aula”.
🇵🇪 Keiko Fujimori anuncia que los hombrecitos deberán asistir a las instituciones públicas de Perú con el pelo corto y prohíbe el uso de maquillaje.
En el caso de las niñas, prohíbe pintarse las uñas, llevar el pelo excesivamente largo o teñido y establece que las faldas… pic.twitter.com/HAUt3bc8ME
— Alerta Mundial (@AlertaMundoNews) October 12, 2026
A ex-vice-ministra de Gestão Pedagógica Ana Andrade Pacora criticou as determinações. “Acredito que são medidas absolutamente equivocadas e nos farão retroceder como sociedade mais de três décadas”, afirmou. Para ela, o regulamento representa uma renúncia ao papel das escolas na formação integral dos estudantes e no exercício da cidadania.
Andrade também apontou o caráter sexista das restrições impostas às alunas. Segundo a especialista, exigir determinados padrões de vestimenta das meninas transfere a elas a responsabilidade de evitar situações de assédio. “A menina é quem precisa se cuidar, em vez de mudar a sociedade para que os homens deixem de assediar. Essa é a mensagem que está sendo transmitida”, declarou.
O anúncio ocorre em meio ao aumento das denúncias de violência escolar. Entre janeiro e agosto de 2026, o Ministério da Educação peruano registrou 11.805 ocorrências. Em setembro, um adolescente de 16 anos denunciou ter sofrido violência sexual praticada por colegas durante uma viagem em ônibus escolar. A Justiça determinou a internação preventiva de seis estudantes de uma instituição administrada pela Marinha peruana.
O episódio levou o governo a intervir na escola e ampliou as discussões sobre a segurança dos alunos. Para Andrade, entretanto, estabelecer regras sobre cabelos e roupas não resolve o problema. “Não importa sua aparência, mas como você trata as pessoas”, afirmou, ao questionar a associação entre apresentação pessoal e respeito aos colegas.
Fujimori sustentou que as exigências contribuirão para desenvolver o senso de responsabilidade dos estudantes. “Sei que pode ser bastante rigoroso, mas acreditem que isso será importante ao longo da vida”, declarou. Ao anunciar a retomada das avaliações de comportamento e das expulsões por faltas graves, a presidente enfatizou, sílaba por sílaba, o objetivo de estabelecer “dis-ci-pli-na” nas escolas.