Deputados do PT pedem ao STF investigação sobre elos entre Kassio e o Banco Master

Kassio Nunes Marques chega a cerimônia de verificação dos sistemas eleitorais
Kassio Nunes Marques, ministro do STF e presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Foto: Reprodução

Os deputados federais Rui Falcão (PT-SP) e Rogério Correia (PT-MG) pediram ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de investigação sobre possíveis vínculos do ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e pessoas próximas a ele com o Banco Master. A representação cita mensagens obtidas pela Polícia Federal, registros processuais e informações divulgadas pela imprensa. Com informações de Folha de S.Paulo.

Os parlamentares sustentam que sete conjuntos de fatos justificam uma apuração sobre eventuais vantagens oferecidas ao ministro enquanto ele participava de julgamentos com interesse econômico para o banco, controlado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Eles solicitam que o STF envie o caso à Procuradoria-Geral da República (PGR).

Entre os episódios listados estão mensagens que mencionam pagamentos mensais de R$ 500 mil associados a Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro; a hospedagem em uma mansão no Rio de Janeiro durante o Carnaval de 2025; e uma viagem de avião particular entre Brasília e Maceió, em novembro de 2025.

A petição também trata de um julgamento sobre a destilaria Alcídia, em outubro de 2024. Kassio votou a favor de uma empresa credora em decisão que beneficiava interesses econômicos do Master, e o diretor jurídico do banco, Luiz Rennó, escreveu a Vorcaro após o resultado: “Ganhamos Alcídia”.

Troca de mensagens em que o nome do filho do ministro Kassio, Kevin Marques, é mencionado. Reprodução

Defesas negam pagamentos e favorecimento ao Banco Master

A defesa de Kassio Nunes Marques afirma que não havia impedimento para sua participação no caso da destilaria. O ministro nega ter recebido dinheiro de Vorcaro, trocado mensagens com o ex-banqueiro ou autorizado terceiros a falar em seu nome.

As mensagens mencionadas pelos deputados associariam Kevin Marques a pagamentos mensais de R$ 500 mil, mas não comprovam que os valores foram pagos. O escritório do filho do ministro recebeu R$ 281,6 mil da empresa Consult, que recebeu R$ 6,6 milhões do Master no período; Kevin afirma que prestou serviços tributários à Consult e nega ter trabalhado para o banco.

Outro ponto envolve um contrato de até R$ 427 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Camilla Ewerton Ramos, mulher do desembargador federal Newton Ramos. Diálogos de Vorcaro chamavam o casal de “Turma do KN”, e o escritório declarou que tinha contrato formal com o banco, mas não recebeu honorários fixos ou de êxito.

Os deputados também questionam um mandado de segurança que busca instalar uma CPI do Banco Master no Senado e que chegou ao gabinete de Kassio em março, sem decisão liminar até agora. A representação pede que o STF leve o caso ao plenário ou o distribua, por sorteio, a um ministro sem impedimento ou suspeição em processos relacionados ao banco.

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