VÍDEO: Neonazistas protestam contra muçulmanos em marcha do Vox em Barcelona

Membros do Núcleo Nacional fazem saudação nazista em manifestação em Barcelona

Uma manifestação do partido de extrema-direita Vox e do Partido Popular (PP) reuniu integrantes do grupo neonazista Núcleo Nacional nesta segunda-feira (12), em Barcelona, durante o Dia da Hispanidade, feriado nacional. Segundo a Guarda Urbana, 1.700 pessoas participaram do ato, que contou com saudações nazistas, gritos contra muçulmanos e imigrantes, além de canções e cartazes em homenagem à ditadura de Francisco Franco.

Vídeos mostram membros do Núcleo Nacional com o braço direito estendido, carregando bandeiras espanholas e símbolos da organização. Eles cantam a música pró-ditadura “Cara ao sol” enquanto caminham e erguem a faixa “12 de outubro de 1492. Não pedimos perdão”, referência à chegada de Cristóvão Colombo à América.

Os manifestantes ainda gritaram “Espanha cristã, não muçulmana” e “moradia, trabalho e remigração”, em defesa da saída de imigrantes do país.

“Cara ao sol” é o hino da Falange Espanhola, movimento fascista ligado à ditadura franquista. Escrita em 1935, a canção acompanhou atos do campo franquista durante a Guerra Civil Espanhola e continuou presente nas cerimônias da ditadura.

O Núcleo Nacional reúne militantes de correntes falangistas e outras organizações da extrema-direita espanhola. A organização exibiu um retrato de Adolf Hitler em vídeo de inauguração de sua sede em Madri.

Os organizadores colocaram a defesa do caráter espanhol de Ceuta, cidade espanhola no norte da África e alvo de uma crise migratória entre os dois países, como a principal reivindicação da mobilização. Entre os lemas exibidos durante o ato estavam “Catalunha com Ceuta, uma mesma Espanha” e “Ceuta não se vende, Ceuta se defende”.

Manifestantes ligados ao Vox carregam cartaz em apoio a espanhóis em Ceuta

Antes de participar da marcha, o Vox realizou um comício próprio na Praça do Rei, no Bairro Gótico, sob o lema “Reconquista”. O secretário-geral e líder do partido na Catalunha, Ignacio Garriga, defendeu recuperar aquilo que, em suas palavras, gerações anteriores protegeram ao resistir à conquista muçulmana da Península Ibérica.

Garriga apresentou as eleições gerais de 29 de novembro no país como uma escolha “entre civilização e barbárie”. Ele acusou o governo de Pedro Sánchez de promover uma “invasão migratória” e associou a chegada de estrangeiros à perda de identidade e à sobrecarga dos serviços públicos.

As propostas migratórias do Vox não se limitam aos muçulmanos. Em um comunicado de fevereiro, a legenda defendeu deportar estrangeiros, inclusive com residência legal, que cometam crimes graves ou que, segundo os critérios do partido, não se integrem à cultura nacional. Também propôs preferência para espanhóis no acesso a benefícios sociais e serviços públicos.

O Vox, porém, procura atrair latino-americanos por meio de referências à língua, à história e à cultura compartilhadas com a Espanha. Estudos sobre o discurso da legenda identificam um tratamento mais favorável a esse público, enquanto imigrantes do norte da África e muçulmanos são apresentados como ameaças à identidade nacional. Essa aproximação também inclui o discurso contrário à esquerda e ao socialismo.

Coletivos latino-americanos participaram da manifestação desta segunda-feira (12) com trajes tradicionais e danças regionais. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra um imigrante mexicano bradando contra o comunismo, enquanto segura uma bandeira ligada à monarquia espanhola dos Habsburgo.

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