
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, precisa demonstrar neutralidade para justificar sua permanência à frente dos julgamentos e da condução do processo eleitoral, avaliou o colunista Leonardo Sakamoto no UOL News, do Canal UOL.
A avaliação veio após a decisão de Nunes Marques de mandar apurar o canal “Exército de Lula”, no WhatsApp, e em meio ao vaivém no Tribunal Superior Eleitoral sobre a suspensão e a liberação do canal administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG).
“O presidente do TSE vem se mostrando, através das suas decisões, que não vem sendo um ator neutro na disputa. Ele precisa demonstrar isso para poder justificar sua permanência, inclusive, à frente dos julgamentos e da condução do processo eleitoral deste ano”, Leonardo Sakamoto.
Sakamoto disse que a sequência de decisões e reações dentro do tribunal gerou incômodo entre ministros e alimentou críticas sobre a velocidade com que alguns casos avançam e outros travam, dependendo de quem é alvo das ações. Segundo o colunista, Nunes Marques também suspendeu três julgamentos no plenário virtual no exato momento em que Flávio acumulava já ampla maioria desfavorável.
“Quando a gente fala que a Justiça tem dois pesos, duas medidas, não é que ela seja lenta ou rápida. É quando ela demonstra uma velocidade que interessa a um dos lados”, Leonardo Sakamoto.
Decisões tomadas pelos ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça, nomes indicados por Jair Bolsonaro ao STF, vêm sendo recebidas com desconfiança e mal-estar por seus próprios pares na Corte, como apontou Sakamoto. A cúpula do tribunal tem demonstrado celeridade para acolher pedidos que desidratam a campanha de Lula, enquanto adota uma lentidão diante de irregularidades que beneficiam Flávio.

A censura sobre o “Exército do Lula”, protagonizado pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, escancarou esse abismo de critérios, disse Sakamoto.
O colunista avaliou que Nunes Marques pode se beneficiar no caso de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro nas urnas, uma vez que o ministro teve seu nome atrelado ao caso Master.
“Nunes Marques, tal qual Alexandre de Moraes, também está no meio do furdúncio do Master. Muita gente fala que o resultado eleitoral interessa a Moraes, porque ele pode vir a ser cassado sob Flávio, em um ato de vingança devido ao julgamento do pai dele no inquérito da tentativa de golpe.”
“Mas pouca gente fala que não interessa a Nunes Marques que Lula ganhe. Por quê? Vazamentos mostram que ‘a Turma do KN’ teria um contrato de R$ 427 milhões com o Master de Daniel Vorcaro. Há indícios de atuação desse grupo para ajudar o banco em decisões sobre precatórios multibilionários.”
“Há também informações a respeito de Airbnbs de super luxo, pagos por Vorcaro, para Nunes Marques, sem contar o pagamento de uma garota de programa no valor de R$ 10 mil reais.”
“Há uma percepção em Brasília de que vencendo o Flávio, entrega-se a cabeça de Moraes e enterra-se o caso Master por algum motivo. E aí, com esse sacrifício, as questões relacionadas ao próprio Nunes Marques ficariam de lado. Ganhando o Lula, a Polícia Federal irá continuar o curso atual das investigações, e o atual presidente do TSE poderia sofrer danos,” Leonardo Sakamoto.