Após participar de uma missa em homenagem a Nossa Senhora Aparecida na Capela do Palácio da Alvorada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu uma entrevista coletiva na manhã deste domingo (12) e direcionou suas críticas mais duras ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Questionado sobre as decisões do ministro Kassio Nunes Marques, presidente da Corte, que determinou a suspensão e posterior restabelecimento do canal “Exército do Lula” no WhatsApp, Lula acusou a Justiça Eleitoral de agir com parcialidade e anunciou uma escalada na mobilização digital de sua campanha.
Ação contra o campo democrático
Lula foi categórico ao afirmar que o TSE tem agido de forma desproporcional contra o campo democrático. “Eu acho que eles estão extrapolando em algumas decisões contra a minha campanha. Isso é visível, isso já foi denunciado”, disparou o presidente.
Para Lula, a tentativa de cercear o canal de WhatsApp, que já conta com milhões de seguidores e é uma das principais ferramentas de organização da militância petista, revela um viés político dentro da Corte. “O que não pode é o presidente da Suprema Corte Eleitoral ter lado na política”, criticou, exigindo que a Justiça atue com isonomia. “O lado dele tem que ser o lado da igualdade de comportamento, da igualdade de procedimento. Todos têm que ter o mesmo direito diante da Justiça Eleitoral. É isso que eu quero, só isso e nada mais do que isso”, completou.
A resposta com o “Exército da Marinha e Aeronáutica”
Em vez de recuar diante da decisão judicial, Lula transformou a tentativa de censura em um mote de mobilização. O presidente anunciou que a campanha não apenas manterá o canal original, agora restabelecido por decisão do corregedor Ricardo Villas Bôas Cueva, como também ampliará a estrutura de comunicação digital para burlar qualquer tentativa futura de derrubada.
“Eu não vou criar só o ‘Exército do Lula’, eu vou criar agora o ‘Exército da Marinha, Aeronáutica do Lula’ no WhatsApp!”, declarou Lula entre os jornalistas, arrancando risadas de sua comitiva. “Ou seja, é a forma mais barata da gente fazer campanha, e nós vamos continuar criando os nossos exércitos! Nós vamos continuar fazendo campanha.”
“O presidente da Corte não pode ter lado”
A fala do presidente reflete o clima de tensão entre a campanha lulista e a presidência do TSE. Para Lula, a medida de Kassio Nunes Marques carece de fundamentação legal clara, uma vez que o canal é utilizado estritamente para orientar o voto e organizar apoiadores, sem transgredir a legislação eleitoral.
“Para ele achar que tem que cortar, ele tem que mostrar qual é a ilegalidade que tem. Onde é que estamos transgredindo a lei?”, questionou Lula, reforçando que a campanha está preparada para judicializar qualquer nova tentativa de cerceamento. “O departamento jurídico da campanha vai cuidar disso”, afirmou, deixando claro que a disputa nas redes sociais e a defesa da lisura do processo eleitoral serão linhas centrais da campanha até o dia 25 de outubro.