Após missa, Lula celebra 3 milhões de casas e desafia Flávio na escala 6×1

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou à imprensa na manhã deste domingo (12), após participar de uma missa em homenagem a Nossa Senhora Aparecida e ao Dia das Crianças, na Capela do Palácio da Alvorada. Em uma coletiva que mesclou temas sociais, religiosos e a reta final da campanha eleitoral, Lula celebrou os números do programa habitacional Minha Casa Minha Vida, desafiou o senador Flávio Bolsonaro (PL) a votar pelo fim da escala 6×1, criticou as decisões do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, e abordou o preço dos alimentos.

Habitação, tolerância religiosa e o “livro contra a arma”

Lula iniciou sua fala destacando a importância do ato religioso para promover a tolerância, em um momento em que, segundo ele, “Nossa Senhora Aparecida é ofendida por alguns religiosos que não querem respeitar a religião dos outros”.

Em seguida, o presidente conectou a Campanha da Fraternidade da Igreja Católica, que tem como tema a moradia, ao maior programa habitacional da história do Brasil. Lula celebrou a contratação de 3 milhões de casas, a destinação de mais de 85% das chaves para mulheres e a liberação de R$ 30 bilhões para reformas. Ele também resgatou a “batalha homérica” travada no passado para incluir elevadores em prédios populares, derrotando o preconceito de que “o pobre não sabe usar elevador”.

“Encontramos 87 mil casas semidestruídas quando chegamos no governo, e nós colocamos em pé”, afirmou Lula, contrastando sua gestão com o governo anterior, que teria paralisado o programa.

Aproveitando o Dia das Crianças, o presidente traçou o contraste central de sua campanha: a fotografia da criança com uma arma versus a criança com um livro. “O que tá em disputa: de um lado, você acha que a solução do problema do Brasil é daqueles que usam arma na mão… E do outro lado nós, que acreditamos que a educação, que a cultura, que a leitura”, disse, anunciando que todos os novos conjuntos habitacionais terão bibliotecas.

TSE e “a Marinha e a Aeronáutica”

Questionado sobre as decisões do ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, que determinou a suspensão (e posterior restabelecimento) do canal “Exército do Lula” no WhatsApp, Lula foi contundente. Ele afirmou que o departamento jurídico da campanha cuidará do caso, mas criticou o que chamou de parcialidade da Corte.

“Eu acho que eles estão extrapolando em algumas decisões contra a minha campanha. O que não pode é o presidente da Suprema Corte Eleitoral ter lado na política”, declarou Lula.

Em tom de desafio, o presidente anunciou que a campanha não será intimidada e ampliará sua mobilização digital: “Eu não vou criar só o ‘Exército do Lula’, eu vou criar agora a ‘Marinha e Aeronáutica do Lula’ no WhatsApp! Ou seja, é a forma mais barata da gente fazer campanha, e nós vamos continuar criando os nossos exércitos!”.

Desafio direto a Flávio Bolsonaro na escala 6×1

Sobre a votação do fim da escala 6×1, prevista para esta quarta-feira (14) no Senado, Lula classificou a manobra da oposição de tentar adiar o pleito como covardia. “Eles agora estão com medo de votar contra. Então eu quero saber se eles vão votar contra”, disparou.

O presidente fez um desafio direto ao seu adversário no segundo turno: “O senhor Flávio, como senador, se posicione! Ele pode apertar lá o botão e dizer se vai votar sim ou não. É simples assim, não tem trauma. É apenas coragem e determinação”.

Lula também destacou a votação da PEC da Segurança Pública, que prevê a criação do Ministério da Segurança. “A partir do momento em que o Governo entrar na questão da segurança pública… a gente vai poder dizer em alto e bom som que para o povo trabalhador a gente quer tranquilidade, a gente quer paz, a gente quer proteção. Agora, para os bandidos, a gente quer prisão”, afirmou.

Preço dos alimentos e subsídio da Petrobras

Ao ser questionado sobre as reclamações da população com o preço dos alimentos, Lula não esquivou do tema. “Eu acho que ainda está caro! É preciso que a gente primeiro comece a acabar com a guerra da Rússia, que tá encarecendo o fertilizante; a guerra do Oriente Médio, que tá encarecendo o petróleo”, explicou.

O presidente detalhou a estratégia do governo para segurar os preços: o uso de mais de R$ 50 bilhões em lucros da Petrobras para subsidiar o diesel e a gasolina, evitando que o custo internacional do petróleo encareça a cesta básica no Brasil. “Nós estamos subsidiando com mais de R$ 50 bilhões com dinheiro arrecadado da própria Petrobras, para que o combustível não aumente o preço do feijão, do arroz, da cebola e do tomate”, ressaltou.

Lula encerrrou a coletiva relembrando a inflação de 80% ao mês que enfrentou no passado e reafirmando o compromisso de sua gestão em garantir que o povo possa ganhar mais e comprar mais com o seu salário. “Nós já fizemos isso e a gente pode fazer outra vez”, concluiu.

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