
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu o conselho de “largar a mão” do colega Alexandre de Moraes, conforme informou o colunista Lauro Jardim, de O Globo. A recomendação sugere pressão por um afastamento entre os dois magistrados, que mantêm convergências públicas em temas ligados à defesa da Corte e à tentativa de golpe de Estado. Com informações de Lauro Jardim, no Globo.
Gilmar vem defendendo Moraes em manifestações recentes e rejeitou a narrativa bolsonarista de que o ministro promoveria perseguição política. Moraes se tornou alvo frequente de bolsonaristas por conduzir inquéritos e processos que envolvem o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados.
A proximidade entre os ministros ficou explícita em setembro de 2025, quando o governo de Donald Trump ampliou sanções contra familiares de Moraes. Gilmar prestou solidariedade ao colega e classificou as medidas como afronta à independência do Judiciário e à soberania brasileira.
Manifesto minha irrestrita solidariedade ao ministro Alexandre de Moraes e à sua família diante da injusta sanção aplicada por governo estrangeiro. Trata-se de medida arbitrária, que afronta a independência do Poder Judiciário e viola a soberania do Brasil.
É preciso recordar: nosso país esteve à beira de um golpe de Estado, com invasão e depredação de prédios públicos, acampamentos pedindo intervenção militar e até planos de assassinato contra autoridades da República. Coube ao ministro Alexandre, com coragem e firmeza, enfrentar essa ameaça e assegurar que a democracia prevalecesse.
Punir um magistrado e seus familiares por cumprir seu dever constitucional é um ataque direto às instituições republicanas. Reitero meu total apoio ao colega e amigo, convicto de que o Supremo Tribunal Federal seguirá forte e fiel ao seu compromisso com a Constituição.
— Gilmar Mendes (@gilmarmendes) September 22, 2025
Sanções dos Estados Unidos e contrato com o Banco Master
Na ocasião, Gilmar também elogiou a atuação de Moraes diante da ameaça golpista. O ministro do STF havia sofrido sanções financeiras impostas pelo governo dos Estados Unidos com base na Lei Magnitsky, em julho de 2025.
Posteriormente, as punições alcançaram Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, e o Instituto Lex. Os Estados Unidos retiraram as sanções em 12 de dezembro de 2025.
Outra frente de pressão envolve o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, e um contrato com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes. Documentos divulgados no caso apontaram previsão de cerca de R$ 131 milhões ao longo de três anos por serviços jurídicos e de consultoria.
O valor previsto no contrato não representa, por si só, o total efetivamente recebido pelo escritório. A informação sobre o conselho a Gilmar Mendes surge enquanto a relação entre Moraes, o Banco Master e a banca de Viviane permanece sob escrutínio público.