
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, deve receber na próxima terça-feira (13) relatórios da Polícia Federal com menções a integrantes da Corte no caso Master. O material pode ampliar a pressão sobre a presidência do tribunal para definir providências em relação aos ministros citados.
Fachin requisitou os documentos ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, após confirmar uma reunião solicitada por um delegado. Em ofício, o presidente do STF afirmou que “nenhum fato nem ninguém deve ficar fora da apuração”.
Ao menos seis dos dez ministros do Supremo ou parentes deles aparecem em citações com diferentes graus de envolvimento nos elementos analisados pela polícia. Os relatórios também fazem referências a integrantes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal Superior do Trabalho (TST).
A PF trabalhou nas últimas semanas para individualizar as citações e avaliar o material reunido sobre cada pessoa mencionada. Investigadores avaliam que a conversa com Fachin pode reduzir divergências com o STF e permitir a retomada de medidas no inquérito.

Divisão no STF e possível envio do material à PGR
O caso agravou uma crise interna que, até agora, se concentrava especialmente nos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Integrantes do tribunal relatam melhora no ambiente após o primeiro turno das eleições, mas Moraes e Mendonça continuam sem se falar, assim como Gilmar Mendes e Nunes Marques.
Aliados de Moraes e Mendonça defendem, reservadamente, que a Presidência do STF envie os elementos à Procuradoria-Geral da República (PGR). A medida permitiria uma avaliação técnica antes de eventuais decisões do Supremo e abriria espaço para novas tentativas de acordo entre os ministros.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também foi citado no caso Master. Uma apuração sobre ele acabou rejeitada pelo Conselho Superior do Ministério Público, e ministros discutem um encaminhamento que não vincule diretamente Gonet à análise dos elementos reunidos pela PF.
As menções ao Supremo começaram a ganhar força em abril de 2025, quando veio a público a contratação do escritório da mulher de Moraes pelo Banco Master. Depois, surgiram referências a negócios ligados a Dias Toffoli, contatos envolvendo Nunes Marques e seu filho, além de episódios relacionados a André Mendonça, Gilmar Mendes e familiares; todos os ministros e parentes citados negam irregularidades ou vínculos indevidos com o banqueiro Daniel Vorcaro.