O candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL), que não tem propostas construtivas para o Brasil, tenta a todo custo impedir a aprovação do fim da escala 6×1 no Congresso e, para piorar a situação dos trabalhadores, defende a negociação direta entre patrão e empregado, com pagamentos por hora, o que enfraquece a relação trabalhista e rebaixa os salários de todos.
A situação sobre o que ele quer para o restante da população foi demonstrada enquanto empresário à frente da Bolsotini Chocolates e Café Ltda, a franquia da Kopenhagen no shopping na Barra da Tijuca (RJ), que funcionou entre 2015 e 2021. Junto com o ex-sócio Alexandre Santini (que agora denuncia Flávio por orgias, presentes caros e lobby), o senador teve que responder na Justiça do Trabalho por demitir uma funcionária com nove semanas de gravidez, que ainda por cima não era registrada, assim, não tinha carteira assinada para receber FGTS ou seguro-desemprego. Além disso, sem o vínculo formal, ela ficou sem o reconhecimento da estabilidade garantida às gestantes. Para completar, ela foi demitida por Flávio sem qualquer aviso prévio.
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A balconista da loja de chocolate (que teve o nome preservado) entrou na Justiça. Flávio e Santini, após um ano, realizaram um acordo e pagaram R$ 30 mil para encerrar o caso.
As informações foram reveladas pelo site Amado Mundo, do jornalista Guilherme Amado. O processo mostra que a funcionária da loja recebia salário de R$ 1,1 mil para trabalhar em uma jornada das 9h30 às 17h30, em escala de segunda a domingo, com uma folga semanal.
A demissão se deu dias após ela informar ao superior sobre a gravidez. A empresa de Flávio e Santini foi encerrada em 2021.
Negociação patrão x empregado
Essa ideia nefasta de negociação direta entre patrão e empregado defendida por Flávio tem como finalidade acabar com a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). O senador vende isso para a população como algo benéfico, como se a balança de negociação entre as partes fosse equilibrada e os trabalhadores fossem ganhar alguma vantagem nisso, o que todos já sabem ser uma falácia.
Mesmo com todas as leis trabalhistas e a atuação da Justiça do Trabalho, casos de assédio laboral, de dificuldades em negociações coletivas e de trabalhos análogos à escravidão persistem no país. Ou seja, o que Flávio quer é “abrir a porteira” para passar a boiada da oferta de salários baixos, ausência de benefícios e falta de proteção. Exemplo disso ficou evidente com a demissão de uma funcionária grávida na sua loja.