
A Veja publica acusações contra Lula com base em uma delação de Daniel Vorcaro cuja narrativa, segundo a própria reportagem, não tem comprovação. Não é a primeira vez, como se sabe, e não será a última.
A reportagem afirma que Vorcaro teria liberado dinheiro para um filme sobre Lula na expectativa de obter vantagens em negócios com o governo federal. Segundo a publicação, o banqueiro reuniu os detalhes dessa história em um anexo encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR). A Procuradoria, porém, não levou o caso adiante por falta de provas, inclusive porque os pagamentos alegados teriam sido feitos em dinheiro vivo.
“Ao contrário do que sugerem essas conversas, não há qualquer prova de que Lula teve realmente esse encontro com Vorcaro”, reconhece a matéria a alturas tantas. A revista também afirma que, apesar dos contatos e do dinheiro que Vorcaro alegava ter sido pago por exigência de João Vaccari Neto, o banqueiro não conseguiu captar recursos nos fundos federais.
A ideia é equiparar o documentário sobre Lula feito por Oliver Stone ao “Dark Horse”. Chega a ser pueril. Mas é banditismo, mesmo.
O empresário João Moreira Salles, em artigo publicado na Piauí, chamou atenção para os encontros e jantares de empresários e dirigentes do mundo corporativo e financeiro com Flávio Bolsonaro.
Entre os nomes citados por Moreira Salles está o de Fábio Carvalho, dono da Veja desde 2018, quando comprou a massa falida da Editora Abril. Carvalho deixou lá o maquinário “intelectual” canalha para fazer o jornalismo porco que marcou os últimos anos da empresa.
O golpe é velho. A capa da Veja de 23 de outubro de 2014, três dias antes do segundo turno presidencial, estampou a manchete “Eles sabiam de tudo”, atribuindo a Lula e Dilma conhecimento do esquema de corrupção na Petrobras com base em um relato de Alberto Youssef.
Apesar da tentativa de influenciar a disputa, Dilma venceu Aécio Neves com 51,6% dos votos. Posteriormente, soube-se que o suposto depoimento foi produzido apenas para viabilizar a reportagem, antes mesmo de existir uma delação formal. Saudade do lavajatismo raiz.

Prerrogativas aciona a Polícia Federal
Os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida, do Prerrogativas, protocolaram uma notícia de fato na Polícia Federal pedindo investigação urgente sobre uma possível articulação entre Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e pessoas ligadas à campanha de Flávio.
A suspeita é de que a iniciativa busque interferir no segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro, prejudicar o presidente Lula e desviar a atenção das investigações sobre o escândalo financeiro do banco. Datado de quinta-feira (8), o documento relata que um HD com um depoimento atribuído a Vorcaro teria sido entregue a terceiros.
O material conteria acusações contra adversários políticos de Flávio Bolsonaro, integrantes do governo Lula e ministros de Estado. Os advogados suspeitam que o conteúdo possa ser usado para atingir o presidente às vésperas da votação, sem tempo hábil para que as denúncias sejam verificadas e os citados apresentem suas versões.
A representação sustenta que as acusações não teriam respaldo em provas e poderiam integrar uma estratégia para desviar o foco das investigações sobre o Banco Master. Os advogados, porém, esclarecem que não tiveram acesso à gravação e pedem à Polícia Federal que confirme se o material existe, apure sua origem e examine seu conteúdo. Um áudio com teor semelhante foi publicado na Veja.
A suspeita ganhou força após notícias de que Vorcaro, preso preventivamente desde março, estaria negociando uma entrevista exclusiva com Globo e Record. A preferência seria pela emissora que oferecesse mais tempo de exibição. Uma eventual gravação dentro da unidade prisional dependeria de autorização judicial.
Em declaração à Folha, Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do Prerrogativas e integrante da coordenação da campanha de Lula, afirmou ter recebido informações de que Vorcaro teria sido estimulado a prestar um depoimento sobre o financiamento de um documentário a respeito do presidente, dirigido pelo cineasta Oliver Stone.
Segundo as informações relatadas pelos advogados, o banqueiro teria recebido a promessa de prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica após as eleições, enquanto seu pai, Henrique Vorcaro, seria colocado em liberdade imediatamente. A notícia de fato pede que a Polícia Federal apure as informações e esclareça se houve articulação para produzir ou divulgar acusações com finalidade eleitoral.