
A cúpula da campanha do senador Flávio Bolsonaro descarta entregar o Ministério das Relações Exteriores a Eduardo Bolsonaro em um eventual governo do irmão. Auxiliares de Flávio classificam como “zero” a possibilidade de o ex-deputado assumir o Itamaraty. Com informações do Globo.
O grupo afirma que Eduardo está distante da equipe que assessora diretamente o senador e não participa das consultas nem das decisões sobre os rumos da campanha. Integrantes do entorno de Flávio o tratam como um nome radical e defendem que ele não ocupe espaço na futura administração.
Apesar da resistência, aliados do senador avaliam que Eduardo poderá pressionar por uma função de peso, como a chancelaria ou a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos, país onde mora. A disputa expõe divergências entre os grupos dos dois irmãos sobre a composição de um possível governo.
Pessoas próximas de Eduardo contestam a avaliação e dizem que ele “será o que quiser” caso Flávio vença a eleição. Um interlocutor do ex-deputado resumiu a divergência: “Flávio é malandro, fala o que as pessoas querem ouvir”.
Eduardo sinaliza interesse na política externa
Aliados de Eduardo reconhecem que uma ala da campanha de Flávio tem “pavor” do ex-deputado e tenta afastar o senador do irmão. Eles sustentam que essa estratégia não prosperou e que Eduardo mantém influência sobre temas internacionais e de segurança.
Em vídeo publicado há poucos dias em seu canal no YouTube, Eduardo evitou confirmar que pretende comandar o Itamaraty, mas deixou aberta essa possibilidade. “Os ministros são anunciados pelo presidente Flávio Bolsonaro”, afirmou ao responder a uma pergunta sobre assumir o Ministério das Relações Exteriores.
🇧🇷 Eduardo Bolsonaro ameaça retaliar diplomatas estrangeiros e brasileiros que "atrapalharam" o governo Bolsonaro caso seu irmão Flávio seja eleito presidente, além de e realizar uma reforma no Itamaraty para alterar a diplomacia brasileira. pic.twitter.com/na84O2Diwt
— Análise Geopolítica (@AnaliseGeopol) September 30, 2026
Na mesma gravação, o ex-deputado disse que consegue dialogar com autoridades estrangeiras e citou a possibilidade de aproximar Flávio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do secretário de Estado americano, Marco Rubio. Ele também mencionou a intenção de classificar o Comando Vermelho e o PCC como grupos narcoterroristas.
Eduardo afirmou ainda que um eventual governo de Flávio transferiria a Embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém e integraria o país ao “Escudo das Américas”, aliança de segurança articulada por Trump com governos latino-americanos de direita. Nesta quarta-feira (7), o STF determinou o início do cumprimento da pena de Eduardo no processo em que ele foi condenado por coação e cancelou seus passaportes.