
A escolha da jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay para o Nobel da Paz de 2026 trouxe um recado indireto ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diante das sanções de seu governo contra integrantes do Tribunal Penal Internacional (TPI). Ao anunciar o prêmio nesta sexta-feira (09), o presidente do comitê, Jørgen Watne Frydnes, defendeu a proteção do direito internacional e das instituições judiciais.
Frydnes afirmou que Pillay “foi fundamental para garantir que crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio sejam processados”. Ele disse que o direito internacional está “sob enorme pressão” e que instituições responsáveis por aplicá-lo sofrem ataques.
Em seu discurso, o dirigente declarou que “um mundo que opera sem o império da lei é injusto, insensato e desumano”. Para ele, juízes protegem a fronteira entre “a ordem e o caos” e precisam de reconhecimento quando enfrentam punições e ataques contra suas instituições.
Pillay integrou o TPI entre 2003 e 2008. Nos últimos meses, o governo Trump ampliou sanções contra membros e juízes da corte, entre eles a presidente do tribunal, Tomoko Akane, com medidas que incluíram restrições para viagens aos Estados Unidos.
Sanções dos EUA atingem membros do Tribunal Penal Internacional

A Casa Branca sustenta que o TPI ameaça a soberania americana. As punições vieram após medidas do tribunal e críticas à política de guerras dos Estados Unidos, além de acusações de crimes de guerra contra autoridades israelenses, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
O comitê destacou a trajetória de Pillay na defesa de princípios jurídicos universais. Nascida em Durban, na África do Sul, em uma família de origem tâmil indiana durante o apartheid, ela se tornou advogada em meio à segregação racial e à exclusão que atingiam a população não branca do país.
Antes de atuar no TPI, a jurista defendeu Nelson Mandela e outros opositores do apartheid. Ela também se tornou a primeira mulher não branca a integrar a Suprema Corte da África do Sul e presidiu o Tribunal Penal Internacional para Ruanda.
Pillay comandou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos entre 2008 e 2014. Mais recentemente, presidiu a Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado, de 2021 a 2025; a comissão concluiu que Israel cometeu genocídio.