Guerra no Irã leva candidatos republicanos a se afastarem de Trump

Donald Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Molly Riley/Casa Branca

Candidatos republicanos em 41 de 62 disputas competitivas pela Câmara e pelo Senado dos Estados Unidos divergiram de políticas de Donald Trump ou reduziram a exposição de seus vínculos com o presidente, segundo levantamento publicado pela Reuters na quarta-feira (7). O recorte equivale a aproximadamente dois terços das corridas analisadas e se refere às eleições legislativas de 3 de novembro.

A agência examinou votações, declarações públicas e materiais de campanha. Em geral, os candidatos se afastam de Trump em temas específicos, sem rejeitar o conjunto de sua agenda. O movimento busca ampliar o apoio entre eleitores independentes, ao mesmo tempo que evita um rompimento direto com o líder republicano.

As divergências sobre políticas apareceram em 23 das 62 disputas. Em 12 delas, envolveram a guerra no Irã, com votos para restringir os poderes militares de Trump ou manifestações pelo fim do conflito. Em junho, o Senado já havia aprovado uma medida para exigir a suspensão da guerra ou autorização do Congresso para sua continuidade. A Reuters também identificou três candidatos críticos à expansão de centros de dados, projetos cujo desenvolvimento acelerado é apoiado pelo presidente.

Uma dúzia de candidatos retirou o nome, a imagem ou referências ao apoio de Trump de seus sites, geralmente depois das primárias partidárias. Entre eles está Mike Beltran, ex-deputado estadual da Flórida que disputa uma vaga na Câmara. Sua página mostrava uma foto do presidente e uma declaração de apoio em agosto; agora, apresenta imagens do candidato com a família, sem mencionar Trump. Outros republicanos evitaram eventos presidenciais ou não disseram se desejavam sua presença na campanha.

Trump
Bandeira estadunidense hasteada no Capitólio, o Congresso Nacional dos Estados Unidos. Foto: Annabelle Gordon/Reuters

O senador Pete Ricketts, que enfrenta o independente Dan Osborn em Nebraska, ilustra essa tentativa de conciliar posições. Ele criticou o plano de Trump para ampliar as importações de carne bovina, mas participou de um comício com o presidente e declarou que vinha lutando por ele em Washington. Ricketts está entre os 11 candidatos identificados pela agência que divergiram em apenas um tema.

A deputada Mariannette Miller-Meeks, de Iowa, aparece entre os 12 que divergiram em mais de uma questão. Ela criticou a política de importação de carne e votou para limitar os poderes de guerra de Trump no Irã, depois de se opor anteriormente a medidas semelhantes. Menos de duas semanas após essa votação, participou de um anúncio de investimento em uma siderúrgica na Casa Branca.

Assessores de campanha ouvidos pela Reuters disseram, reservadamente, que reduzir a associação com o presidente ajuda a buscar votos independentes. O estrategista republicano Ron Bonjean avaliou que os candidatos refletem as posições dos eleitores de suas disputas. Já a consultora Jeanette Hoffman descreveu o esforço como uma tentativa de aproveitar realizações do governo enquanto se preserva alguma distância da imagem de Trump.

Questionado sobre o levantamento, o porta-voz da Casa Branca Davis Ingle citou as realizações do governo e afirmou que Trump continua sendo o líder inequívoco, o melhor comunicador e o principal mobilizador do Partido Republicano. A agência ressalta que críticas diretas ao presidente permanecem menos frequentes que divergências pontuais.

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