
A Polícia Federal arquivou o pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) para investigar uma possível interferência estrangeira nas eleições presidenciais brasileiras. A corporação concluiu que não havia indícios mínimos para iniciar uma apuração formal.
A AGU enviou a solicitação à Diretoria de Inteligência da PF no sábado (03), após uma reportagem do jornal britânico “The Guardian” relatar a liberação de recursos dos Estados Unidos para um projeto voltado a contestar decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, informou no domingo (04) que o órgão havia recebido o pedido. A Polícia Federal não chegou a instaurar inquérito sobre o caso.
Também no domingo, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, afirmou que não havia indicativos de interferência estrangeira nas eleições.
Projeto recebeu US$ 1 milhão para atuar no Brasil
O “The Guardian” informou que o Departamento de Estado dos Estados Unidos liberou US$ 176,9 milhões do Fundo de Direitos Humanos e Democracia para causas conservadoras em vários países. A autorização ocorreu em 30 de setembro, horas antes do encerramento do ano fiscal americano.
Desse total, US$ 1 milhão — cerca de R$ 5,2 milhões — teria sido destinado a um projeto no Brasil. A iniciativa recebeu o título “Combate à Litigância Deliberativa e à Censura no Brasil”.
O projeto prevê apoio a grupos da sociedade civil que questionam decisões do STF, classificadas pela iniciativa como atos de censura e abuso de poder. Alexandre de Moraes integra a Corte e relatou a ação penal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O jornal britânico relatou que aliados do presidente Donald Trump defenderam os repasses na Casa Branca. Fontes ouvidas pela publicação atribuíram parte da destinação dos recursos a interesses do vice-presidente JD Vance e de Stephen Miller.