“Campanha menos organizada que já participei”: Lula cobra aliados em reunião

Lula durante reunião de coordenação, em Brasília. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula (PT) cobrou aliados e classificou sua campanha de 2026 como a “menos organizada” de que participou desde 1989. A reclamação ocorreu em uma reunião com deputados, senadores e governadores aliados nesta quarta (7), após o petista terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL).

Lula recebeu 45,16% dos votos, ante 47,03% de Flávio. O presidente fez a cobrança ao lado de Edinho Silva, presidente nacional do PT e coordenador-geral da campanha, em meio à pressão de lideranças por mudanças na estrutura eleitoral.

Na parte da reunião transmitida pelo canal do PT no YouTube, Lula afirmou: “Acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade, poderíamos ter feito mais. Disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que participei desde 1989”. O vídeo saiu do ar depois.

Aliados esperam que o senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação, ganhe espaço na coordenação daqui para frente. A atuação dele na reeleição de Elmano de Freitas (PT) ao governo do Ceará elevou seu prestígio junto ao presidente e às lideranças petistas, embora ainda não haja definição sobre a divisão de funções com Edinho.

Lula durante evento de campanha. Foto: Carla Carniel/Reuters

Comunicação e redes entram na cobrança da campanha

As reclamações internas também atingem a comunicação eleitoral, especialmente as estratégias sobre as quais opina o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira. Dirigentes do PT e integrantes do governo defendem mudança na linha adotada no primeiro turno, marcada pela ênfase em soberania e terras raras.

Lula reconheceu que precisa aumentar a presença nas redes sociais. Na segunda (5), ele ouviu do governador reeleito Rafael Fonteles (PT-PI) a sugestão de gravar mais vídeos em formato de selfie e, nesta quarta, publicou dois vídeos desse tipo. “Eu tenho que falar nas redes, no celular. Eu não uso celular porque tenho a mão para fazer outras coisas”, disse.

Na reunião, o presidente também endureceu o discurso sobre segurança pública e defendeu a aprovação da PEC que reorganiza a atuação da União na área. “Nosso lema é o seguinte: para o povo trabalhador a proteção. Para o bandido a prisão, é esse o lema daqui para frente”, afirmou.

Lula ainda pediu mobilização parlamentar pela proposta que encerra a jornada 6×1, em discussão no Senado, e desafiou Flávio e o PL a apoiarem a medida. O presidente cobrou que os aliados expliquem os efeitos da mudança no cotidiano dos trabalhadores e disse que aprová-la significa garantir “civilidade no mundo do trabalhador”.

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