A promessa de Flávio Bolsonaro de cortar R$ 190 bilhões em despesas públicas traz uma pergunta que seu plano de governo não responde: o que acontecerá com o Farmácia Popular? O programa não aparece no documento entregue ao TSE, embora tenha atendido 27 milhões de brasileiros em 2025. Para uma família de quatro pessoas, a economia anual pode chegar a R$ 8,8 mil, segundo o Ministério da Saúde.
O Farmácia Popular oferece gratuitamente 41 itens, entre medicamentos para hipertensão, diabetes, colesterol e Parkinson, além de fraldas geriátricas e absorventes. Até setembro de 2026, mais de 24 milhões de pessoas já haviam utilizado o programa. São 28 mil farmácias credenciadas, presentes em cerca de 5 mil municípios, com cobertura de 97% da população.
O impacto aparece diretamente no orçamento das famílias. Segundo o Ministério da Saúde, as fraldas geriátricas podem representar uma economia de até R$ 3.240 por ano. Para duas pessoas em tratamento contra hipertensão, são até R$ 2.080 de economia anual. Nos casos de Parkinson e diabetes, a redução das despesas pode passar de R$ 2.500. Para quem trata dislipidemia, chega a R$ 480 por pessoa ao ano.
Bolsonaro previa cortar recursos; Lula ampliou o programa e Flávio não garante sua manutenção
A preocupação não surge do nada. Durante o governo Jair Bolsonaro, a proposta orçamentária para 2023 previa uma redução de aproximadamente 60% nos recursos do Farmácia Popular, de R$ 2,48 bilhões para R$ 1,01 bilhão. O programa, que havia chegado a 21,9 milhões de usuários em 2023, voltou a crescer na gestão Lula: foram 24,7 milhões em 2024 e 27,3 milhões em 2025.
Em 2025, o governo Lula ampliou a política e tornou gratuitos os 41 itens oferecidos pelo programa. Em 2026, o Ministério da Saúde destinou R$ 4,7 bilhões ao Farmácia Popular e abriu uma nova frente para ampliar os serviços, com estudos sobre exames, testes rápidos e teleatendimento.
É nesse cenário que aparece a promessa de Flávio Bolsonaro. Seu plano prevê redução de ministérios, cargos comissionados e despesas administrativas e estabelece uma política de contenção de gastos. A equipe econômica fala em uma economia de R$ 190 bilhões, equivalente a 1,5% do PIB, mas o valor não está detalhado no documento apresentado ao TSE.
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O problema é que não há, no plano, uma garantia para o Farmácia Popular — justamente uma política que o governo Lula ampliou e que hoje alcança milhões de pessoas.
A pergunta, portanto, não é apenas quanto Flávio pretende cortar. É o que os brasileiros terão de deixar de receber para que esse corte aconteça. No Farmácia Popular, a resposta pode ser cobrada diretamente de quem precisa de um remédio, de uma fralda ou de um absorvente e hoje consegue esses produtos gratuitamente pelo SUS.
A experiência recente já mostrou dois caminhos: enquanto o governo Bolsonaro apresentou uma proposta de forte redução dos recursos do programa, Lula ampliou o acesso e levou a gratuidade aos 41 itens. Agora, Flávio promete uma nova rodada de cortes sem dizer se o Farmácia Popular estará protegido.
Na ponta, a verba destinada ao Farmácia Popular se traduz em algo concreto: medicamentos que chegam às mãos de milhões de brasileiros sem pesar no orçamento familiar.