
O assessor econômico de Flávio Bolsonaro (PL), Luiz Felipe Trevisan, apresentou a investidores uma proposta de Super PEC para cortar entre R$ 190 bilhões e R$ 200 bilhões em despesas primárias antes da posse de um eventual governo do senador. Os relatos da reunião voltaram a circular no mercado financeiro e entre políticos e provocaram ruídos na campanha, segundo a coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo.
Ex-executivo do Itaú BBA e integrante da equipe que elaborou o plano econômico do candidato, Trevisan detalhou a ideia em encontro com investidores da Eurasia Group, no início de setembro. O pacote exigiria mudanças na Constituição e seguiria para votação no atual Congresso entre a eleição e a posse.
Flávio impulsionou novamente a discussão ao afirmar nesta semana que teria maioria no Congresso para modificar a Constituição. Integrantes de sua equipe avaliam que a promessa de aprovar um corte de R$ 200 bilhões antes da posse é politicamente inviável e pode frustrar agentes do mercado caso ele vença a eleição.
O ajuste projetado equivale a cerca de 1,5% do PIB. A proposta prioriza cortes na máquina pública, sem incluir inicialmente mudanças na Previdência ou reduções de benefícios sociais, e reúne dez medidas que permitiriam negociar a composição dos cortes sem alterar o valor total da economia prevista.

Fim da reeleição entraria na negociação da proposta
O fim da reeleição presidencial aparecia como instrumento de barganha para aprovar o ajuste. Pela estratégia apresentada, Flávio Bolsonaro se comprometeria a não disputar um novo mandato em 2030, assumindo o custo político de reformas impopulares sem depender de uma campanha pela recondução ao cargo.
A avaliação exposta na reunião era que a medida reduziria a resistência do Centrão e de possíveis candidatos à Presidência em 2030. O plano também buscaria aproximar o senador do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), apontado como possível nome para a sucessão presidencial.
A Super PEC reduziria o número de ministérios para no máximo dez, com cortes de cargos, revisão de curvas salariais do funcionalismo, digitalização de serviços, gestão de imóveis da União e combate a fraudes. A proposta também prevê a redução do volume de emendas parlamentares.
Na área do Judiciário, o texto limitaria a criação de despesas por tribunais, incluindo gastos com penduricalhos, e fixaria idade mínima e exigência de carreira jurídica para indicações ao STF. Os ministros da Corte passariam a ter mandato de 15 anos.