
Até Kim Kataguiri (Missão), deputado federal por São Paulo e adversário do petismo, recorreu a uma comparação com Lula para expor a tolerância de bolsonaristas com Flávio Bolsonaro (PL). Em vídeo, o parlamentar questiona por que suspeitas que provocariam indignação contra a família do presidente são relativizadas quando envolvem o candidato do PL e o financiamento de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro.
Kim abre a gravação com uma situação hipotética: como os apoiadores de Flávio reagiriam se uma ligação mostrasse Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, pedindo R$ 130 milhões a Marcelo Odebrecht para uma produção sobre o pai? O deputado pergunta se aceitariam a justificativa de dinheiro privado para um filme privado, argumento usado pelo senador para defender a relação com Daniel Vorcaro.
A comparação mira a diferença de critérios. Kim pergunta por que o personagem imaginário seria chamado de ladrão, enquanto Flávio recebe dos apoiadores os rótulos de cristão e patriota. A cena envolvendo Lulinha é uma hipótese formulada pelo deputado para testar a coerência da defesa bolsonarista.
Na sequência, Kim apresenta declarações do senador e afirma que suas versões mudaram à medida que novas informações vieram a público. O vídeo aborda a relação com Vorcaro, o reconhecimento do financiamento e a promessa de divulgação do contrato. O deputado também critica tentativas de deslocar para Lula as cobranças dirigidas a Flávio.
A situação tá tão feia que eu tô tendo que concordar com o Kim Kataguiri. pic.twitter.com/fajpBSESXl
— POPTime (@poptime) October 7, 2026
O caso ganhou repercussão com a divulgação de mensagens e documentos sobre a negociação de US$ 24 milhões para Dark Horse, cerca de R$ 134 milhões na cotação da época. Os registros publicados pelo Intercept Brasil mostraram conversas diretas e cobranças de Flávio por pagamentos destinados à produção.
Flávio nega irregularidades e sustenta que buscou financiamento privado, sem dinheiro público ou contrapartida política. Em agosto, ao ser questionado sobre contratos e prestação de contas, o candidato também direcionou as cobranças ao presidente Lula.
“A verdade é que Flávio Bolsonaro faz o seu eleitor de otário, mudando de versão cada vez que sai uma matéria nova”, afirma Kim. A força política do vídeo está em um adversário do PT exigir do candidato bolsonarista o rigor que seus apoiadores reservam a Lula. Ao cobrar explicações de Flávio, o deputado questiona a ideia de que o antipetismo possa servir como justificativa para aceitar suas contradições.
Missão x Bolsonarismo
Renan Santos é outro nome do Missão que mantém os ataques a Flávio Bolsonaro (PL) após o primeiro turno. Em transmissão nas redes sociais, chamou o senador de “um homem fraco e um corrupto” e afirmou que o Brasil poderia ser governado pelo “mais corrupto da família Bolsonaro”. As críticas e a recusa em fazer campanha para o candidato do PL alimentaram especulações de que ele estaria favorecendo Lula no segundo turno. www1.folha.uol.com.br
A suspeita ganhou uma versão inusitada quando Renan mostrou as novas cortinas vermelhas de sua casa, interpretadas por seguidores como um sinal de apoio ao PT. Ele negou a associação e explicou que escolheu o tecido para bloquear a claridade e dormir até mais tarde. “Eu odeio o PT. Eu jamais vou votar no Lula”, declarou, deixando claro que a decoração não representava uma declaração de voto.