
Governistas avaliam que o crescimento da direita no Senado tornou politicamente inviável votar nesta semana o projeto que prevê o fim da escala 6×1. A leitura no governo é que o novo cenário eleitoral reduziu a disposição do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para levar o tema adiante. Com informações de Folha de S.Paulo.
Antes da mudança no ambiente político, Alcolumbre havia marcado três sessões do plenário para discutir a proposta. A iniciativa era vista como um aceno ao governo Lula e abria espaço para que o tema entrasse na agenda legislativa durante a campanha.
A eleição de mais senadores de direita e a vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Lula no primeiro turno foram recebidas por governistas como um “balde de água fria”. Integrantes do governo pretendiam explorar a defesa do fim da escala 6×1 como bandeira no segundo turno.
Agora, auxiliares de Lula não esperam que o presidente do Senado ofereça apoio à pauta. A expectativa é que Alcolumbre reduza o ritmo da tramitação para preservar sua relação com Flávio Bolsonaro.
Reeleição de Alcolumbre depende de nova composição do Senado
Alcolumbre mira a reeleição para a presidência do Senado e precisará do voto da maioria dos parlamentares da Casa. O cálculo político passou a considerar a força da bancada que sairá das urnas e as alianças que ela poderá formar.

Com o aumento da representação do PL no Senado, o presidente da Casa tende a fazer acenos a Flávio Bolsonaro. A movimentação busca evitar que o senador articule a candidatura de um aliado para comandar o Senado.
O projeto sobre a escala 6×1 trata de uma pauta trabalhista que o governo avaliava usar para mobilizar eleitores no segundo turno. Sem perspectiva de votação imediata, a proposta perde espaço na estratégia eleitoral dos governistas.
Alcolumbre e Flávio Bolsonaro apareceram juntos durante sessão do Congresso que analisou vetos ao PL da Dosimetria, em abril. A proximidade entre os dois passou a integrar as avaliações do governo sobre o destino da proposta no Senado.