Extrema direita amplia aceitação e vence eleição no estado de SP

A extrema direita e o conservadorismo fecharam o primeiro turno em São Paulo com vitória para o Palácio dos Bandeirantes e a conquista das duas vagas no Senado. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi reeleito no pleito de domingo (4). A chapa com Felício Ramuth (MDB), vice, derrotou Fernando Haddad (PT). A diferença superou 6 milhões de votos no estado.

A coligação elegeu também para o Senado os ex-secretários e aliados Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), garantindo mandato de 2027 a 2035. As candidatas Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), da coligação Desperta São Paulo, ficaram fora do Senado.

As outras candidaturas de esquerda representadas por Vivian Mendes (UP), Vera Lúcia (PSTU) e Carlos Machado (PCB) somaram menos de 1% dos votos válidos. A abstenção no estado atingiu 22,56% do eleitorado apto, segundo balanço do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP).

Haddad venceu em seis municípios do estado

A apuração por município indica uma forte hegemonia conservadora. O candidato do PT venceu em apenas seis municípios paulistas. Na capital, manteve a liderança em setores das periferias das zonas sul e leste, além de bairros centrais como Bela Vista e Pinheiros.

Tarcísio ficou à frente em 639 dos 645 municípios paulistas. Em 2022, Haddad havia saído vitorioso em 91 cidades no segundo turno, incluindo a capital paulista. A retração do campo progressista no território estadual é o dado mais expressivo do resultado final

Na Grande São Paulo, que reúne 39 municípios, Tarcísio venceu em 37. Haddad manteve maioria apenas em Diadema e Francisco Morato, ambas por margem estreita. O resultado em Diadema isola o PT no ABC paulista, região onde o partido havia vencido há quatro anos em municípios como São Bernardo do Campo, Mauá e Rio Grande da Serra.

As outras quatro vitórias do campo progressista no interior ocorreram em municípios de pequeno porte: Sandovalina e Euclides da Cunha Paulista, no Pontal do Paranapanema; Coronel Macedo, no sudoeste; e Itapura, no noroeste. A votação mostra a resistência eleitoral restrita a assentamentos rurais e bordas urbanas.

Nas regiões de Ribeirão Preto, Franca, Campinas, Vale do Paraíba e Sorocaba, a vantagem do governador reeleito foi ampla, consolidando o controle sobre os maiores polos industriais e do agronegócio paulista.

Resistência concentrada na capital

Na cidade de São Paulo, a disputa mostrou um cenário mais dividido. O mapa das zonas eleitorais aponta liderança de Haddad em distritos periféricos do sul e do extremo leste, como Grajaú, Piraporinha, Cidade Tiradentes, Valo Velho, Parelheiros e Capão Redondo, além do Itaim Paulista e do Rio Pequeno. No centro expandido, o petista liderou na Bela Vista e em Pinheiros.

Tarcísio concentrou votação expressiva em bairros de renda mais alta e classe média tradicional, como Indianópolis, Tatuapé, Mooca e Morumbi, além de avançar sobre periferias que haviam votado na oposição em 2022, como Pedreira, Capela do Socorro e Cidade Ademar.

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