
O papa Leão XIV homenageou São Francisco de Assis neste domingo (4), no oitavo centenário de sua morte, como “um operário que trabalhou com grande fruto na vinha do Senhor”. Na reflexão do Angelus, o pontífice destacou a missão do santo de reparar a Igreja e pediu compromisso com a paz e a concórdia entre os povos.
A referência ao “operário” aparece em uma reflexão sobre a responsabilidade dos fiéis pela comunidade religiosa. Segundo a mensagem publicada pelo perfil oficial do Santo Padre, a Igreja é uma vinha que pode ser construída ou prejudicada pelas escolhas de seus integrantes. Francisco, nome escolhido pelo seu antecessor na liderança da instituição, foi lembrado pelo trabalho dedicado a essa reconstrução.
Leão XIV ressaltou que o santo começou por transformar a própria vida, compartilhando a pobreza, a alegria e os sofrimentos de Cristo. O papa também destacou sua caridade e descreveu o amor fraterno como o caminho pelo qual Francisco ajudou a superar a discórdia na Igreja.
Por isso, enquanto celebramos o ano jubilar franciscano, imploremos com perseverança o dom da paz e comprometamo-nos sinceramente a construir a concórdia entre os povos.
— Papa Leão XIV (@Pontifex_pt) October 4, 2026
Durante o ano jubilar franciscano, Leão XIV pediu aos fiéis que trabalhem pela paz e pela concórdia entre os povos. No Brasil, a homenagem ao “operário” Francisco ganha uma coincidência simbólica no domingo em que Lula, ex-metalúrgico, disputa a reeleição. Embora o pontífice não tenha mencionado candidatos, sua defesa da fraternidade oferece um contraste com os ataques de figuras do bolsonarismo à Igreja Católica.
O contraste tem episódios concretos. Allan dos Santos dirigiu insultos homofóbicos a bispos da CNBB e a Dom Vicente de Paula Ferreira. Já Victório Galli, ex-assessor de Bolsonaro, voltou a defender a proposta de sua autoria que substituiria a expressão “Padroeira do Brasil”, referente a Nossa Senhora Aparecida, por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. O projeto foi apresentado em 2007 e arquivado em 2008; sua defesa recente é de Galli, sem comprovar um compromisso de Flávio Bolsonaro com a medida.
Em 23 de setembro, em mensagem aos fiéis de língua portuguesa divulgada pelo Vatican News com referência ao Brasil, Leão XIV pediu a defesa da dignidade humana e a promoção de melhores condições de vida para o próximo. Esse chamado, somado à homenagem ao “operário” São Francisco, permite cobrar coerência de quem invoca o cristianismo na política enquanto agride bispos e hostiliza símbolos da devoção católica. A fraternidade defendida pelo papa exige respeito também à fé alheia.