
A regra do púlpito vazio exigida por Flávio Bolsonaro (PL) para o debate da Globo deste ano não existia no formato de 2018, quando Jair Bolsonaro faltou ao confronto e não teve um posto identificado com seu nome para receber perguntas dos adversários. A cláusula de 2026 permitiria esse tipo de questionamento a Lula (PT), que havia recusado o convite, mas foi barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com informações do Notícias da TV.
Após a decisão, a Globo cancelou o debate presidencial previsto para quinta-feira (1º). A emissora afirmou que havia acertado previamente a regra com os partidos, inclusive o PT. Pelo formato, o estúdio manteria o púlpito com a identificação do candidato ausente, e os demais participantes teriam 30 segundos para formular perguntas a ele.
A coligação de Lula contestou a medida. Ao analisar o pedido, a ministra Estela Aranha entendeu que as consequências previstas poderiam constranger os candidatos a participar, embora a presença no debate seja facultativa.
“A referida cláusula possui, dada a magnitude das consequências negativas que prevê para o candidato que decide se ausentar, aparente intuito de compelir os candidatos a comparecer ao debate, renunciando à facultatividade de participação assegurada em lei”, afirmou na decisão.
Lula já havia anunciado que não participaria do confronto e marcou uma entrevista ao “Flow Podcast” no mesmo horário.

Bolsonaro faltou em 2018 sem receber perguntas em púlpito vazio
Em 2018, Bolsonaro, então candidato do PSL, não participou do debate da Globo sob a justificativa de que ainda se recuperava do atentado a faca sofrido em Juiz de Fora, em Minas Gerais, cerca de um mês antes.
Na abertura do programa, William Bonner informou: “O candidato Jair Bolsonaro, do PSL, também foi convidado, mas informou que não poderia comparecer porque ainda se recupera do atentado que sofreu no dia 6 de setembro”.
A produção não instalou um púlpito com o nome de Bolsonaro nem reservou espaço para perguntas dirigidas a ele. Assim, sua ausência não teve as consequências previstas na cláusula contestada pela campanha de Lula em 2026. Os formatos foram definidos pelas regras acertadas previamente para cada debate.
Ao tratar dos precedentes, a Globo também lembrou que Lula faltou a um debate da emissora em 2006, quando sua cadeira permaneceu vazia. No debate da Band em 2026, as cadeiras de Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema (Novo) ficaram vazias, mas os participantes não puderam dirigir perguntas aos ausentes.